MARY CITELI ESTÁ PREPARANDO UM LIVRO DE MENSAGENS E ORAÇÕES. ESTÁ ANTECIPANDO NESTE ESPAÇO OS SEUS TEXTOS E SOLICITA AOS EVENTUAIS LEITORES QUE REGISTREM SEUS COMENTÁRIOS.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
30.12.2013
VOAR
A chuva passou
O vento acalmou
A água levou
Qualquer pensamento
Levou sofrimentos
Arrancou de dentro
Aquilo que ardia
Levou pra bem longe
A dor que aturdia
A mágoa passou
A missa acabou
O céu nuviou
Com nuvens tão claras
O sol me chegou
A estrada se abriu
Pra mim, em braçadas...
Me senti amada
Vi anjos no céu
Vi Papai Noel
Vi ninhos de cobras
Nem mêdo eu tive...
Vi coisas de sobra
Sobrou tanta coisa
Sobrou o melhor
Segui, fui adiante
Voei bem rasante
Subi mais um pouco
Ascendi, me vi livre
E vi que na vida
Voar é possível...
VENTANIA
Quase noite, eu corria
Me perdi na hora... droga...
Que mêdo, ave Maria
Me socorre, me segura
Na poeira, na canseira
Teimosia...quem mandou
Teimar em vender o resto
Daquilo que me sobrou
Quem mandou não ser esperta...
Pavor na estrada deserta
Enfrentando ventania
Correria, chuvarada
Trovões, raios, enxurrada
Corre, menina tonta
Quem mandou vc ser sonsa...
Não viu que o céu carregava
De nuvens pretas, pesadas
Prenunciando vendaval?
Chora agora, se apavora
Larga o cesto nessa estrada
Que jeito...largar não posso
Amanhã vem o remorso
Do cesto com coisas dentro
Não...não posso deixar o cesto
Tem coisas pro nosso almoço
E pro café da manhã...
Molhou tudo... que sufoco
Mas acho que ainda servem
Tem café, lata de óleo
Açucar e macarrão
Feijão, não....meu pai colheu
Ajudei... debulhei vagens
O arroz, também colheu
Carreguei feixes e feixes
Ajudei juntar os grãos
Que caiam na batida
Já viram bater arroz ?
Naquele tempo era assim...
Bate forte ele no chão
Caem grãos, sobram as socas
Põe em sacas, e depois
Leva pro benefício
Na máquina da cidade
Que limpam...tiram as cascas
E sobra o arroz branquinho...
Pronto...só cosinhar
Arroz novo, se bobear
Vira papa, pouca água
Precisa pra dar o ponto
Ao contrário do feijão
Quando novo, é tão bom...
Velho, cria carunchos
Demora pra cosinhar
As vezes nem presta mais...
Vixi...não existem
As panelas de pressão...
Corre, corre, menina boba
Fique esperta doutra vez
Quando a tarde sai da escola
Leva pra casa as sobras
Daquilo que não vendeu...
Se livra da escuridão
Se aquieta, fica alerta
A ventania passou
A noite chegou
O cesto salvou
Os livros, cadernos...
Será que molhou?
Amanhã tudo seca
Recomeça....êta vida...
Fica esperta.....
ENXURRADA
Que pena da Filomena
Perdeu marido na enxente
Água corrente levou
Enxurrada de dilúvio
Encontraram bem depois
O pobre enroscado em galhos
Virou entulho...ah, pecado...
E ele tanto trabalhou...
Bem agora que o coitado
Ia descansar um pouco
Do sufoco dessa vida
Nem bem se aposentou...
Ai, meu Deus, eu não devia
Ter pedido pra ele ir
Buscar pão na padaria
Naquele tempo tão feio
Prenunciando tempestade
Mesmo que na verdade
Gostasse tanto de pão
Pra comer junto com sopa...
Ela estava tão quentinha...
Preparada...esperando
Por ele...coitadinho...
Ah...que triste...que saudade....
Não aguento não, comadre
Essa dura solidão...
Meus filhos vêm toda hora
Pra me ver... me perguntar
Do que é que eu preciso
Aí choro feito doida
Me debruço, me debulho
Não seguro tanta dor
Era tanto nosso amor...
Eles vêm, me abraçam forte
Mas a morte me levou
O bem tão precioso
Que a vida me legou...
Todos esses anos juntos
Pra depois virar defunto
Assim... sem mais....
Numa tão besta enxurrada...
Estranha demais essa vida...
Eta, vida danada.....
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