quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

digitada no dia de natal


BONECA DE PAPELÃO

Onde está você, bonequinha
Eu pensei que fosse minha...
De papelão, sem cabelos
Tão careca... sem roupinhas
Onde foi parar você
Nessa vida um tanto incerta
Me procurando nos sonhos
Tristes, parcos, risonhos...
Onde andará, minha amada
Tão feinha....desejada....
Onde foi que eu a deixei
Bonequinha de cor rosa
Lembra... tanto conversei
Éramos nós tão prosas...
Você e eu... eu e você
Conversávamos tal qual
Comadres de há muito tempo...
Que saudade de você,
Papelão jogado ao vento...
Depois daquela tragédia
Você voou... virou migalhas
Naquela chuva ingrata
Que levou você de mim
O que resta de você
Bonequinha, meu amor...
Ah....eu sei... está inteira
Guardada em meu coração...
Triste foi a sua sina
Eu, menina te deixei
Sem querer... não vi a chuva
Que levou você de mim
Assim... sem me avisar....
Porque, minha bonequinha...
Será que não te cuidei?
Mas você, minha lindinha
Nunca, nunca me saiu
Guardo- a bem comigo
Já ganhei o meu castigo
Eramos tão sapecas...
Não posso te-la em meu colo
Mas tenho você na alma
Relembro... penso... me acalma...


A MENINA E OS LIVROS


Eu a vi fingindo ler
Achei graça...que audácia...
Tão novinha, pequenina
Querendo ser gente grande
Virava as páginas... sorria.
A cada figura que via
Fazia caras e bocas
Fiquei louca de vontade
De apertar a menininha
Mas eu não podia
Ela estava concentrada
Na leitura... tinha junto
Vários livros... e lia...
Virava os olhos, fingia
Queria ser notada
Vez em quando olhava em volta
Pra sentir se era vista
E lia... mexia os lábios
Ah, meu Deus... que coisa linda
Ela e eu na livraria...
Perguntei:- Você já lê?
É ainda tão novinha.....
E ela me respondeu
Não sei ainda, vovó....
Mas já estou aprendendo
E vou ler todos os livros
De todas as livrarias...
Fiquei pasma... tão novinha...
Essa menina promete
Tão esperta, essa netinha.








CHORAR... SORRIR


Meu choro é fácil
Mas muitas e muitas vezes
Eu não choro só por mim
Choro também pelo outro
Pelas dores que vão aí....
Meu choro é destampado
Ruidoso, destemperado
Choro por quem eu amo
Por meus frutos, meus sabores
Choro pelos horrores
Dos sêres tão desumanos...
Choro a dor que fere o outro
Ferindo também a mim
Não choro pouco
Me entrego, descarrego
Não me cabem tantas dores...
Me desacostumei delas
Já que as minhas são tão poucas
Mas entendo a dor que dói
Então choro a dor do outro...
Choro tudo o que preciso
Aí, tudo se dilui
Vem então o meu sorriso...
Não esqueço a dor alheia
Mas sorrisos não me faltam
São fartos... Se assemelham
Às colheitas generosas
Que colhemos todo dia
E num misto de choro e riso
Sobram sempre os meus sorrisos...









DEUS FALA

Eu deixo que Ele me fale
Escuto... respondo, me entrego
Sua conversa me embala
Me leva a pensar melhor
Refletir... sentir
Querer melhorar mais...
A cada dia, um novo passo
Me harmonizo, me encontro
Deixo entrar sua voz tão doce
E em todos os encontros
Quando escuto o que Ele diz
A vida flui bem melhor...
Deixo abrir a consciência
Recebo graças infindas
Como fossem rosas brancas
Colhidas do meu jardim...
Ouço a voz... respondo baixo
Sinto forte o Seu abraço
E assim, deixando vir
Sua voz no coração
Tenho a clara sensação
De uma eterna segurança
Pois Ele me fortalece
Caminhamos de mãos dadas
Aumento a minha fé
Reencontro a minha paz
Tenho novas esperanças...





ELE ELA

Ela esperava por ele
Ele não vinha
Ela chorava
Ele se ria
Ela implorava
Ele tampouco via
A dor dilacerando,
A vida sofrida
O amargo na boca,
Só ela sentia...
O peito sangrando,
A fome dos beijos
O eterno desejo...
Saudade chorada
Cansada, doída
Uma sede danada
Do amor que não tinha...
Então ele veio...
Matou seus desejos
Cobriu-a de beijos
Prometeu voltar...
Deixou esperanças
Levou seu melhor
Brincou de querer
Pantou a semente
Seu fruto no ventre
E pela tangente
Saiu, não quiz mais
E ela menina
Meu Deus... quanta dor
Que triste a sina
De se apaixonar
Por aquele homem
Que achou fosse nobre
Mas não... era reles
De espírito pbre...







 PALAVRAS

Palavras soltas
Ao vento
Catavento
Leva o vento
Se dispersam
Diluem... conduzem
Seduzem...induzem
Palavras...
Pensadas
Repensadas
Bem faladas
Benditas
Mal ditas
Não ditas
Aflitas
Desditas...
Meias palavras
Pausadas
Simples
Rebuscadas
Doces ou amargas
Mal ou bem intecionadas
Tantas palavras....
Trancadas
Silenciadas...
Na dor caladas....
                   




BONECA DE PAPELÃO

Onde está você, bonequinha
Eu pensei que fosse minha...
De papelão, sem cabelos
Tão careca... sem roupinhas
Onde foi parar você
Nessa vida um tanto incerta
Me procurando nos sonhos
Tristes, parcos, risonhos...
Onde andará, minha amada
Tão feinha....desejada....
Onde foi que eu a deixei
Bonequinha de cor rosa
Lembra... tanto conversei
Éramos nós tão prosas...
Você e eu... eu e você
Conversávamos tal qual
Comadres de há muito tempo...
Que saudade de você,
Papelão jogado ao vento...
Depois daquela tragédia
Você voou... virou migalhas
Naquela chuva ingrata
Que levou você de mim
O que resta de você
Bonequinha, meu amor...
Ah....eu sei... está inteira
Guardada em meu coração...
Triste foi a sua sina
Eu, menina te deixei
Sem querer... não vi a chuva
Que levou você de mim
Assim... sem me avisar....
Porque, minha bonequinha...
Será que não te cuidei?
Mas você, minha lindinha
Nunca, nunca me saiu
Guardo- a bem comigo
Já ganhei o meu castigo
Eramos tão sapecas...
Não posso te-la em meu colo
Mas tenho você na alma
Relembro... penso... me acalma...

























































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