domingo, 22 de dezembro de 2013

TEXTOS NUMERADOS DE 501 A 518



NOVEMBRO 2013 – TEXTOS ZÉLIA


NÚMERO 501
HALLOWEEN
Crianças passam sorrindo
Param, olham, ficam tempo...
Observam alegrinhas
Os enfeites que coloco...
Me perguntam: Vai ter festa?
Eu respondo: Vai ter doces
Aqui mesmo... vem pegar...
Vou por mesa enfeitada
Pirulitos, doces balas
E luzinhas pra alegrar
Quero ver vocês aqui
Podem vir fantasiadas
De bruxinhas e bruxinhos
E venham bem animadas...
Podem vir com qualquer roupa
Mas venham pra minha oferta...
Não tem coro nem orquestra
Mas tem as minhas risadas
E o riso de vocês...
Venha mesmo, criançada...
Trazer aqui seu cantar
Sua doçura e encanto
E a energia dos anjos
Pra eu poder me alegrar...
Venham, lindas criancinhas
E tragam toda a alegria...
Deixem em minha casa
O som lindo das risadas
E também os seus anseios
Deixem todos os seus medos...
Tantos beijos quero dar
Quantos meus lábios tiverem...
E ao beijá-las, não me neguem
A promessa de voltar...



NÚMERO 502
VIVER O AGORA
Gosto da vida assim
Nem penso em ir embora...
Tão cedo,  não quero ir
Me pego sempre pensando
Nos ganhos que a vida traz
Vivi os meus pesadelos
E em meio a tantos medos,
Acordada, tive sonhos
Risonhos,  cheios de paz...
Fui aprendendo a pensar
No melhor, no bem maior
Aprendi a acreditar
Ver no amor a solução
Olhar com o coração
Tirar da vida o melhor...
Do amargo eu tiro o mel
E encontro o meu troféu
Guardado dentro de mim...
Me esforço pra ser assim
Separando o bem do mal
Tentando ser, maior que o ter
E assim vou pouco a pouco
Galgando os meus degraus
Faltam muitos pra subir

E atingir o que é real
Mas eu sei que chego lá
Não importa a demora
Pois o que mais importa
É viver bem meu agora...
.....................................................




Número 503
OBRA PRIMA

Ela estava tão cheirosa
Bem vestida, lindo porte
Se transportava com graça
Tão jovem, tão graciosa...
Requebrava seus quadris
Sutilmente... feito onda
Mansa, silenciosa
Sem saliência, querendo...
Não querendo ao mesmo tempo
Parecer gata manhosa...
Eu a vi... outros a viram
E a olharam com gosto
Bela figura passando
Um rosto mais que perfeito
Qual seria seu defeito
Naquele corpo esculpido
Matéria prima do barro
Desenhado, moldado
No silêncio, certa vez...
Um casal em doce coito
A fez com muito gosto
Esculpindo na surdina
Noite escura, madrugada
Ou manhã ensolarada
Não importa... dia, hora
Qual o ano, qual o mês
Obra prima, feito deusa
Moça linda... quem te fez?



Número 504
NHÁ CHICA  e NHÔ ZÉ
Na casa da Chica
Tinha banho de bica
Penico no quarto
Travesseiro de pena
Colchão de palha
Fogão de lenha
Bule na chapa
Caneca de lata
Terreiro limpinho
Paineira na porta
E uma bela horta
Nhô Zé tocava
Viola baixinho
Cantava rimando
Amor, amorzinho
Me enche de beijos
Me dá seu carinho
Matava os desejos...
Pitava na palha
Me traz pão de queijo
Jogava as migalhas
Vem cá passarinho
Lidava na roça
Trazia pra casa
Colheita que dava
Nhá Chica rezava
Pra Deus conservar
Marido tão bom
Não há outro igual...
Vestido de chita
Domingo ia à missa
Mãos dadas, faceira
Não é brincadeira
Cuidar das galinhas
Terreiro, capina
Porcada, que mais...
Rezava, rezava
Pedia à miude
Saúde e o pão nosso
Pra nunca faltar...
Agradecia as graças
Não tinham desgraças
Alegria era farta
A vida tão boa
O amor tinha vez
Pois é Nhá Chica
Pois é Nhô Zé
Sodade docês...
Beijos, inté...

n. 505
MUNDOS
Ela surgiu toda meiga
Seu carisma transbordando
Tão mimosa, tanto dengo
Menina...flor tão cheirosa
Tinha ares de rainha
Bela, qual flor se abrindo
Era doce seu caminho
Viu o mundo passando
Por ela, em desalinho
Sentiu um desejo forte
Mudar aquele caminho
Colocar flores, amores
Em qualquer lugar que fosse
Mas o mundo passou adiante
Deixando-a só a pensar
Na vida... busca incessante
Parecia tão distante
O mundo que a viu passar...
Resolveu seguir em frente
Buscando mundos melhores
E o mundo cativante
Depressa a trouxe de volta
Confusão de tantos mundos
Passando por todos nós
Uns ficam vendo passar
Outros passam...sonham alto
Mas a menina ficou
E sonhando... encantada,
Amou...passou..
............................................................


Número 506

SORRIR....VIVER....

Foi uma risada longa
Que ao longe, fez seu eco
Ressoou atrás os montes
Trouxe consigo, espalhando
O riso á todos que ouviram
E alegres aplaudiram,
Contagiando em sorrisos
Outros cantos, outros mares
Encantando os que passavam
Desencadeando afagos
Ternura, sonhos, amores
Favores que se trocavam
Por mais sorrisos e graças
E nesse entrelaço,
Formou-se uma cadeia
De amor... muita alegria
Paz....desejos....fantasias
E o sorrir então se fez
Transparecer nos rostos
O gosto por viver mais...
Sorrindo... vivendo.... rindo....


Número 507

VELHA MENINA...

Certa vez, você passando
Mirou em mim seu olhar
Sorriu doce e ciciou-me
Não entendi o que disse
Mas senti, velha senhora...
O que você quiz dizer...
Aquilo que me falou
Pensando baixo consigo...
Pois em mim, ficou aquilo
de uma forma bem singela
E abriu em mim a flor
Do amor com que me olhou
Sei que me admirou
Viu em mim o que eu sentia...
Onde está você, mulher...
Se já estava tão velhinha....
Ah...com certeza, não mais
Se encontra entre os mortais
Da forma que eu quero ver...
Mas da forma mais sublime
Tal qual o seu doce olhar...
Querida velha...tão jovem...
Alma terna de menina
Senhora...mulher pequena...
Imensa, ficou em mim
Eu também era menina
Trocamos nosso sentir...
Nossas almas parecidas
Nos sentiamos iguais?
Perdidas...tentando achar...
Nossa alma tão sofrida..
Eu, ainda criança...
Você, velha.... e tão menina.....


Número 508

PORTAS ABERTAS

Abro as portas... todas elas...
As da frente e dos fundos
Se pudesse abrir o mundo
Abriria sem pensar
Não deixaria sequer
Uma porta sem abrir
Nem tampouco se fechar...
Abriria, alargaria
Qualquer porta ou potão
Pra entrar qualquer pessoa
Que quizesse aqui morar
Mas abro meu coração
Pra deixar que todos entrem
Sem entraves, empecilhos
E ao ver todos chegarem,
Vou espalhar qualquer brilho
Que eu possa ter comigo...
Quero tirar da memória
Do baú da minha história
As mais gostosas lembranças
Pra espalhar, deixar de herança...
Quero dar da minha aurora
Seu eterno renascer
Dividir minha alegria
E no alvorecer do dia
Quero dar o meu abraço
E pedir que vocês fiquem...
Pois na casa onde eu vivo
Cabem todos os seus donos
Ela é minha, é de vocês                       
Dos que passam, dos que ficam
Dos que vêm buscar abrigo
É a casa dos meus sonhos
A morada que me habita
Vivo nela... ela em mim...
Um dia de cada vez
Ambas cheias de vida...
As duas são de vocês.....

Número 509

PÃO E VINHO

O pão nosso, é pão divino   
Nosso hino que enleva
Vinho e pão, nosso sustento
Nêles, nosso alimento....
Pão e vinho, transformados
Em fontes do consagrado...
Vinho e pão nossos manjares
Nos sustentam, nos alentam
Nos transformam, nos sublimam...
No pão, a carne divina
No vinho, o sangue da vida...
Elevados nos altares
Consagrados nos sacrários,
Relicários... sêr de nós...
Pão... carne... sustentação...
Vinho... sangue... redenção...




Número 510

O QUE SINTO, ESCREVO...

Tenho ganas de escrever
O que sinto, quando vem...
Tão forte, causticante...
Preciso transportar... transparecer...
Tirar tudo o que me esxede
E me incomoda estando lá..
Escondido, amoitado, calado...
Me fustiga... Não posso guardar comigo
Preciso contar...
Tenho que estravasar
Vai virar livro?... Não sei...
Não ligo o que vai ser
Ao colocar tudo aqui...
Quero sim, únicamente
Por pra fora, tirar daqui
De dentro...Contar tudo
Quase tudo... Pouco escondo
Livro aberto? Não, porcerto...
Mas poucas páginas fecho
Do meu livro... cheio de cores
Amores e doces saudades
Contém também muitas dores                   
Mas bem mais felicidades...
Conto nele o que vi, ouvi, senti...
O que vejo, o que sei,
E o que penso então saber...
Não tenho nenhum receio
Em expor meus sentimentos...
E assim contando...
Escrevo... escrevo... escrevo...






Número 511

CEMITÉRIOS

Tenho amizade com eles...
Afinidades...morei perto
De um deles, fui amiga...
Ele foi meu confessor
Fiz genuflexão no cruzeiro
Ajoelhei na cêra quente
Derretendo, fumegantes
Rezei preces tão ardentes...
Fui constante, indo lá...
Vi choros, tantos suspiros
Escutei tristes gemidos
Dos que iam sepultar
Os seus entes tão queridos
Filhos, irmãos, amigos....
Chorei muito, estando lá....
Não, não sou mórbida...
Mas lá, encontrava alento
Tão mocinha, era eu...
E as almas me ouviam
Caladas, me entendiam....
Contava minhas angústias
Pedia que me ajudassem...
Lá, os choros tinham ecos
Me sentia aliviada,
E nas tristezas choradas,               
Sabia não estar sózinha
Conversava com as almas...
E á noite, em minha cama
No vento, ou na doce brisa,
Divagando, eu sempre ouvia
Clamando, as coroas de lata
E o tilintar das cruzinhas...




Número 512

VIUVÊS

Procuro, busco, não a vejo...
Vivo assim... só por viver...
Quem me dera, disse ele
Na busca, podê-la ver...
Minutos...segundos que fossem
Mas ela... ah... foi embora
Deixando vazio meu colo
Vago, o mesmo solo
Durante anos, pisado
Repisado, calcado
Moldando a vida...
Quem dera, voltasse ela...
Só pra poder contar
Da saudade que me aleja
Tolhe, encolhe, me embota
Desbota meu céu azul...
Tira o riso, traz o pranto
Tirando todo o encanto
Desencantando a vida...
Estou cansado da dor
Saudade do meu amor                                       
Arde o peito, fere a alma
Nada acalma... peço à ela
Vem me buscar, querida...
Continuar nossa lida
Em qualquer desses lugares
Pode ser em noite escura
Ou em noite enluarada
Nos altares das estrelas
Ou nas cores do arco iris
Vou levar as mesmas flores
Que  você plantou aqui
Quero andar a mesma estrada,
Calcar meus pés por aí...
Com você, minha amada...
Vem... me leva daqui...
número 513           

NÓS QUATRO....

Muito bom, nós quatro juntos
Todos num mesmo quarto
Orgia? Não era, eu juro...
Mas foi tão bom, isso tudo...
E foi regado a queijo e vinho
Até choveu um pouquinho
Pra alegrar ainda mais...
A lua também fez sua parte
Aparecendo com arte...
E Baco, o Deus do vinho,
Certamente estava lá
Temendo que não sobrasse
Na taça, nenhum golinho...
Mas com razão, ah... se Baco...
Não sobrou nenhum pouquinho....
E nós, juntos, divagando
Falando de tantas coisas....
Sim, foi muito bom tudo isso...
Zeca, com suas piadas
Luiz, ouvindo quietinho
Nem tanto...ás vezes falava
Ana, dando risadas
E eu? Ah... eu, curtindo tudo
Falando de coisas sérias
E também certas bobagens
Coisas que já nem lembro
Ou nem sei porque falei
Mas... se está no vinho a verdade,
Certamente, o vinho sabe....

Número 514

NÃO SOU SANTA

Santa, eu não sou
Nem tenho tal pretensão
Em mim há muitos defeitos
Minhas falhas? Sim, as vejo...
Mas busco melhorar sempre
A alma e o coração
Sinto alegria ao me ver                   
Na busca por melhorar
Conscientizar um defeito,
E com isso, crescer mais...
Culpas eu não carrego
Já que isso é tempo ido
Mas busco não repetir
Os erros já cometidos...
Muitas vezes meus fantasmas,
Vêm rondar a minha alma
Mando embora bem depressa
Exorciso eles todos
Não permito que me fiquem
Assombrando vida afora       
Sou eu a dona da história
Sou eu, a protagonista
Escolho o melhor papel
Enceno com perfeição
Dou ênfase á mocinha
Não dou trela pro vilão
E ao descer então o pano
A estrêla se despede
Não fica esperando palmas
Porque ela bem o sabe
Que as vaias ou aplausos
Estão mesmo, dentro dela....





Número 515

DESESPÊRO

Chovia...bramia o vento
Tão forte, que amedrontava
Minha alma tão criança...
E eu, correndo na chuva
Nem sentia o vento forte
Fustigando a pele jovem...
Desgrenhada, eu corria
Da morte que assombrava
Minha mãe parindo em dores
O seu filho que chegava...
Não sabia pra onde ir
Por favor...alguém me ajude
Quero o sol... não quero a chuva
Ensopando até os ossos
Castigando o corpo jovem
Da menina apavorada...
Guiada só pelo vento
No relento, madrugada...
Decerto que eu nem sabia,
Correndo, porque corria...
Socorro, pedia a alma
Na voz débil da menina...
A capela estava aberta           
Deserta...os santos todos cobertos
Pano roxo...minha alma...
Encoberta... o mesmo pano...
Desnudei todos os santos
E os chamei pra ver meu pranto
Rolando, num rosto pequeno
Sedento por encontrar
A paz, no rosto dos anjos...






Número 516

ORQUESTRA

Uma orquestra toca ao longe
Remetendo-me ao passado...
Meus ouvidos ouvem perto
Os sons que estão em mim
Ainda...vibrantes....incertos....
Mas tão perto que até doem
Minha alma, assim desperta
Meu presente me deleita,
Minha festa presenteia...
Traz-me distantes segredos
Voltando aos tempos de outrora
Insegura, busco a aurora
E a encontro ainda em mim
Latente em minha senhora,
Que ao se revelar, me acorda
Me alerta pra sonhar,
Viver, sentir, desejar
Da vida, o lado sonoro
Que entranhado ainda está
Em mim... qual embrião,
Em orquestra se formando
Sugando da vida o mel
Adoçando mais ainda
O amor...cerne da vida....
.....................................................



Número 517
NATAL
Montei a minha árvore
Antegozando o Natal
Tantos penduricalhos
Mistureba... detalhes
Sim... O natal é brega
Mas é lindo, divino
Me enleva, relevo
Fico mais leve...
Amorosa, sonora...
Preparo, reparo
Cada detalhe...
Um anjo, um alce
Um sino, um laço
Uma estrela
Um presépio...
Anexo, Papai Noel
Tanta luz
Nascimento de Jesus
No bercinho se destaca
Não é mais tão pobrezinho
Afofo o cestinho lindo
Ilumino... olho... sorrio...
Jesus...Seja bem vindo...
................................................



Número 518
HOMENAGEM A CHICO MENDES

Chico...
Há vinte e cinco anos
Você foi embora daqui
Mas continua em nós
Nas florestas, na fartura
Do seu amor pela vida
Fauna, flora, rios, mares
Choram sua longa ausência...
Você Chico, desbravou, amou
E chorou nos seus altares
Chico Mendes... Grande Chico
Plantador de consciências
Plantou amor...Plantou vidas...
Nas árvores generosas,
Que ainda choram de saudade...
Chico, você é imortal
Imortalizando em nós
A consciência do verde...
Pergunte às tantas árvores
Pergunte à natureza...
Com certeza elas dirão
Que você, querido amigo,
Faz aqui tamanha falta
Pois muitos ainda enriquecem
Empobrecendo as florestas...
Chico... hoje não choro
Faço festa pra você...
Dia 15 de dezembro,
Você nasceu na floresta
E viveu a vida inteira
Pra salvá-la, preservá-la
Da tirania dos homens
Defendeu até à morte
A Deusa mãe, Deusa vida
E por ela,
Em 22 de dezembro
Derramou seu sangue bom
Francisco Alves Mendes Filho
Você acendeu mentes
Plantou tantas sementes
Tornou-se o mártir das matas
Verdadeiro mártir por nós...
Pela vida...
Como é, Chico...
Que alguém teve a coragem
De se tornar seu algoz?














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