sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

digitada em 27.12.2013

O SINEIRO


Vivas ao sineiro da matriz
De há muitos, muitos anos
Uns cincoenta ou até mais...
Ao ouvir dobrar o sino
A cidade já sabia
Marcelino estava lá
Cumprindo sua missão...
Fazia de coração
Qualquer toque, repicar
Fosse dobre de finados
Fosse anunciando a missa
Enterro de gente velha
Ou enterro de um anjinho
Lá estava Marcelino...
Cada fato, um dobrado
Nem precisava avisar
Todo mundo já sabia
O que estava acontecendo
Sineiro tão antigo
Tocando seu velho sino
Companheiros na missão
De chorar os seus finados
De alegrar a multidão
Nos toques tão variados
Nobre arte... aprendizado
Antigo...bater do sino
Não se aprende assim sem mais
Leva tempo... só Deus sabe...
Marcelino dissertava
Sobre cada um dos toques
Ah... badalar missa do galo
Era o som que mais gostava
Tão alegre... repicava
Festivo... toque de gala

Também era muito bom
O toque das seis da tarde
Mas era tão triste o dobre
Anunciando lento
O enterro de criança...
Marcelino contava
Subir  tantas escadas
Pra alcançar aquela corda
E se fosse anunciar
Missas...coisas alegres
Nem sentia ou se cansava
Mas se fosse anunciar
O enterro de um anjinho
Ou de gente ainda jovem
Ah... como isso lhe pesava...
Marcelino... bela arte
A sua de tocar sino
Começou desde menino
Tantos anos...velho homem
Velha corda...velhos hinos
Tanta história em seus acordes....
Ainda estão em seus ecos
Mas quando você partiu
Ninguém tocou pra você
Tão bonito, aquele sino...


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