sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

aprendendo



A MENINA E OS LIVROS


Eu a vi fingindo ler
Achei graça...que audácia...
Tão novinha, pequenina
Querendo ser gente grande
Virava as páginas... sorria.
A cada figura que via
Fazia caras e bocas
Fiquei louca de vontade
De apertar a menininha
Mas eu não podia
Ela estava concentrada
Na leitura... tinha junto
Vários livros... e lia...
Virava os olhos, fingia
Queria ser notada
Vez em quando olhava em volta
Pra sentir se era vista
E lia... mexia os lábios
Ah, meu Deus... que coisa linda
Ela e eu na livraria...
Perguntei:- Você já lê?
É ainda tão novinha.....
E ela me respondeu
Não sei ainda, vovó....
Mas já estou aprendendo
E vou ler todos os livros
De todas as livrarias...
Fiquei pasma... tão novinha...
Essa menina promete
Tão esperta, essa netinha.








CHORAR... SORRIR


Meu choro é fácil
Mas muitas e muitas vezes
Eu não choro só por mim
Choro também pelo outro
Pelas dores que vão aí....
Meu choro é destampado
Ruidoso, destemperado
Choro por quem eu amo
Por meus frutos, meus sabores
Choro pelos horrores
Dos sêres tão desumanos...
Choro a dor que fere o outro
Ferindo também a mim
Não choro pouco
Me entrego, descarrego
Não me cabem tantas dores...
Me desacostumei delas
Já que as minhas são tão poucas
Mas entendo a dor que dói
Então choro a dor do outro...
Choro tudo o que preciso
Aí, tudo se dilui
Vem então o meu sorriso...
Não esqueço a dor alheia
Mas sorrisos não me faltam
São fartos... Se assemelham
Às colheitas generosas
Que colhemos todo dia
E num misto de choro e riso
Sobram sempre os meus sorrisos...









DEUS FALA

Eu deixo que Ele me fale
Escuto... respondo, me entrego
Sua conversa me embala
Me leva a pensar melhor
Refletir... sentir
Querer melhorar mais...
A cada dia, um novo passo
Me harmonizo, me encontro
Deixo entrar sua voz tão doce
E em todos os encontros
Quando escuto o que Ele diz
A vida flui bem melhor...
Deixo abrir a consciência
Recebo graças infindas
Como fossem rosas brancas
Colhidas do meu jardim...
Ouço a voz... respondo baixo
Sinto forte o Seu abraço
E assim, deixando vir
Sua voz no coração
Tenho a clara sensação
De uma eterna segurança
Pois Ele me fortalece
Caminhamos de mãos dadas
Aumento a minha fé
Reencontro a minha paz
Tenho novas esperanças...





ELE ELA

Ela esperava por ele
Ele não vinha
Ela chorava
Ele se ria
Ela implorava
Ele tampouco via
A dor dilacerando,
A vida sofrida
O amargo na boca,
Só ela sentia...
O peito sangrando,
A fome dos beijos
O eterno desejo...
Saudade chorada
Cansada, doída
Uma sede danada
Do amor que não tinha...
Então ele veio...
Matou seus desejos
Cobriu-a de beijos
Prometeu voltar...
Deixou esperanças
Levou seu melhor
Brincou de querer
Pantou a semente
Seu fruto no ventre
E pela tangente
Saiu, não quiz mais
E ela menina
Meu Deus... quanta dor
Que triste a sina
De se apaixonar
Por aquele homem
Que achou fosse nobre
Mas não... era reles
De espírito pbre...






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