Número 94
PRECONCEITOS
Preconceitos, quem não tem
A maioria diz não tê-los
E às vezes são revelados
Tão gritantes que assustam
Outras vezes são sutis
Não queremos percebê-los
Negamos que os possuímos
Mas eles estão bem aí
Basta que atentemos
E queiramos assumi-los
Pois assumindo que os temos
É começo do caminho
Para que nos livremos
Deste pobre sentimento
Tão pequeno e tão mesquinho...
Preconceito com as raças
Religião ou cor da pele
Opção sexual, vocação e tantos mais
Preconceito é tão chulo...
Já que nada disso importa
Preconceito é tão bobo...
Cor da pele, o que revela?
Se for branca, negra, parda,
Vermelha ou amarela
Algo que não compreendo
O porque do preconceito
Opção sexual...
Nem sei bem se é opção
Mas que seja... o que importa
O importante são os atos
Revelados, praticados
De amor e tolerância
Na aceitação do outro
Já que somos todos um
Nada somos mais que o outro
Tiremos então a máscara
Pra encarar nossos defeitos
Pois é muito, muito triste
Esse tal de preconceito...
n. 209
PASSA O RIO
Atrás das casas bem pobres
Onde aos mais duros comove
Passa o rio em passos lentos
Vagaroso... feito o tempo
Dos que levam seu viver
No silêncio da tristeza
Sem leveza, sem prazer...
Passa o rio, cantando triste
O lamento dessa gente
Indigente, penitente
Sem vontade de lutar...
Passa o rio, atrás das casas
Tão sombrio esse lugar...
Até os peixes que o habitam
Nadam só por nadar...
Passa o rio...cantando frio
Já não tem o que cantar
Não se entrega por um fio
Leva em si o desafio
É preciso então passar...
Passa o rio onde crianças
Também brincam ao passar
Têm no rio a sua crença
Seu alento, sua alma
Deixam lá suas mensagens
Na esperança de um milagre
Passa o rio, por onde passa
A vida de tanta gente
Descontente, triste, pasma
De assistir tão passiva
O rio passar pela vida...
172
PARTO DE MIM...
Cai a noite,
Vêm os medos...
No escuro,
Os meus segredos...
Eu me acuso
Me recuso em achar
Que são direitos...
É... faz parte...
Me divido
Me reparto
Me exorcizo
É meu parto
Parto de mim,
Que seja assim ...
E mesmo, sem mais temer,
Me encontro tendo
Pena de mim...
E os meus anseios,
Me fazem ver
Mesmo no escuro,
Refletir o meu sagrado
Já consagrado
Por mim um dia...
Então encontro
No contraponto,
Minha ternura
Minha alegria
E a noite escura,
Não mais me assusta;
Vejo-a clara
Se transformando
Em plena luz
Num belo dia...
Cai a noite,
Vêm os medos...
No escuro,
Os meus segredos...
Eu me acuso
Me recuso em achar
Que são direitos...
É... faz parte...
Me divido
Me reparto
Me exorcizo
É meu parto
Parto de mim,
Que seja assim ...
E mesmo, sem mais temer,
Me encontro tendo
Pena de mim...
E os meus anseios,
Me fazem ver
Mesmo no escuro,
Refletir o meu sagrado
Já consagrado
Por mim um dia...
Então encontro
No contraponto,
Minha ternura
Minha alegria
E a noite escura,
Não mais me assusta;
Vejo-a clara
Se transformando
Em plena luz
Num belo dia...
n. 190
POESIA...
Poesia é tudo junto
Os assuntos misturados
Misturando o presente,
O futuro e o passado;
Nunca a pequenês...
Na poesia tudo cabe
Cabe o amor, e o desamor
As lutas e as condutas
O pecador, o santo, o padre
Também cabe a prostituta
E que diferença faz?
Cabe assaz, a mulher bela
E cabe também aquela,
Que nem é tão bela assim...
Cabe você e a mim...
Cabe a bondade dos anjos
Arcanjos e serafins
Cabem mares, rios, jardins
O político que é bom,
E também o canastrão
Que é mesmo tão ruim...
Cabe o penitente frade
Cabe até a fofoqueira;
A comadre conselheira
E o cachorro do compadre...
Cabe o gentil e o tosco
E também poetas loucos...
Na poesia, tudo cabe
Cabe aquele que é sábio
E o que pensa que é sabido
Cabe o Deus nos seus altares
Cabe a felicidade
Cabe até o que foi perdido...
Cabe a guerra mesmo insana
E a paz que nos irmana
Cabe tanto a esperança
Quanto cabe o desespero
Cabem todas as crianças
E também o amor primeiro...
Cabe o rosto... todo o corpo
A beleza, o feio, o roto...
Cabe tanto o jovem velho
Quanto cabe o velho moço...
Cabe o choro, o riso, o pranto
E o sacrário sacrossanto...
Cabem o céu e o inferno
Também cabe o amor fraterno...
Cabe o escárnio e o desafeto
O filho tão desalmado,
E o filho predileto...
Poesia é o cantar da chuva
É o sol e a encantada lua
É música que verte a alma
Se despindo sem pudores,
Qual mulher se entrega nua...
Sim...na poesia tudo cabe
Só não cabe dizer nunca,
Que a poesia pouco vale...
Poesia é tudo junto
Os assuntos misturados
Misturando o presente,
O futuro e o passado;
Nunca a pequenês...
Na poesia tudo cabe
Cabe o amor, e o desamor
As lutas e as condutas
O pecador, o santo, o padre
Também cabe a prostituta
E que diferença faz?
Cabe assaz, a mulher bela
E cabe também aquela,
Que nem é tão bela assim...
Cabe você e a mim...
Cabe a bondade dos anjos
Arcanjos e serafins
Cabem mares, rios, jardins
O político que é bom,
E também o canastrão
Que é mesmo tão ruim...
Cabe o penitente frade
Cabe até a fofoqueira;
A comadre conselheira
E o cachorro do compadre...
Cabe o gentil e o tosco
E também poetas loucos...
Na poesia, tudo cabe
Cabe aquele que é sábio
E o que pensa que é sabido
Cabe o Deus nos seus altares
Cabe a felicidade
Cabe até o que foi perdido...
Cabe a guerra mesmo insana
E a paz que nos irmana
Cabe tanto a esperança
Quanto cabe o desespero
Cabem todas as crianças
E também o amor primeiro...
Cabe o rosto... todo o corpo
A beleza, o feio, o roto...
Cabe tanto o jovem velho
Quanto cabe o velho moço...
Cabe o choro, o riso, o pranto
E o sacrário sacrossanto...
Cabem o céu e o inferno
Também cabe o amor fraterno...
Cabe o escárnio e o desafeto
O filho tão desalmado,
E o filho predileto...
Poesia é o cantar da chuva
É o sol e a encantada lua
É música que verte a alma
Se despindo sem pudores,
Qual mulher se entrega nua...
Sim...na poesia tudo cabe
Só não cabe dizer nunca,
Que a poesia pouco vale...
n. 223
PALAVRAS
Que alentam, acalmam
E nos fazem sofrer menos
Benditas palavras ditas
Sábias, inteligentes
Capazes de melhorar
A vida de tanta gente...
Palavras mal pronunciadas
Faladas só por falar
Ditadas em frases duras
Maldosas, degeneradas
Soltas...impensadas...
Fartura no mal amado;
Deveriam ser caladas
Antes mesmo de pensar...
Palavras que vão, e vêm
Andam livres por aí
Levando mal entendidos
Discórdias e desafetos
Devolvendo em dor sentida
Mutilando vidas;
Dejetos da mente vil...
Palavras sem freios...
Distorcidas...vão além
Ah...são essas tão malditas
Que não convêm a ninguém...
Palavras jogadas fora
Ditas a qualquer hora
À toa, sem precisar;
Desperdício de palavras
Vagando, atritando
Deixando rastros de pólvora
Nos caminhos onde passam
Machucando pobres almas
Dos incautos que imploram
Pro maldito se calar...
Ah...quem nos dera dizer sempre
Palavras que acrescentam
Saídas do coração;
Verdadeiras, nobres, belas
Quais as cores da aquarela
Carregadas de emoção
Disseminando o que é bom
Proclamando só o bem
Pois palavras impensadas
Não são boas pra ninguém....
E nos fazem sofrer menos
Benditas palavras ditas
Sábias, inteligentes
Capazes de melhorar
A vida de tanta gente...
Palavras mal pronunciadas
Faladas só por falar
Ditadas em frases duras
Maldosas, degeneradas
Soltas...impensadas...
Fartura no mal amado;
Deveriam ser caladas
Antes mesmo de pensar...
Palavras que vão, e vêm
Andam livres por aí
Levando mal entendidos
Discórdias e desafetos
Devolvendo em dor sentida
Mutilando vidas;
Dejetos da mente vil...
Palavras sem freios...
Distorcidas...vão além
Ah...são essas tão malditas
Que não convêm a ninguém...
Palavras jogadas fora
Ditas a qualquer hora
À toa, sem precisar;
Desperdício de palavras
Vagando, atritando
Deixando rastros de pólvora
Nos caminhos onde passam
Machucando pobres almas
Dos incautos que imploram
Pro maldito se calar...
Ah...quem nos dera dizer sempre
Palavras que acrescentam
Saídas do coração;
Verdadeiras, nobres, belas
Quais as cores da aquarela
Carregadas de emoção
Disseminando o que é bom
Proclamando só o bem
Pois palavras impensadas
Não são boas pra ninguém....
PAVOR - 49
Passou zunindo por mim
Assobiando, varrendo
Um vento de arrepiar
Parecia o final dos tempos
Me sentei no chão com medo
Pra não dizer pavor
Chamei Deus Nosso Senhor
Pois só Ele me ouviria
Naquela estrada deserta
Parecendo, ao meio dia
Só eu habitar por lá...
E então desabou a chuva
Muita pedra enchendo o chão
Coração batendo forte
Senti medo da morte
Morrer tão nova, não dá...
Tinha comigo meus livros
E os cadernos de escola
Estavam num embornal,
De tecido alvejado
Foi minha mãe quem fez
Ensopado, até pingava...
Meu lanche de puro pão
Inteirinho se desfez
Naquele dia de chuvas
Ventos, raios, trovoadas...
Alguém passando me viu
E me levou pra casa
Disseram que desmaiei, não sei...
Não me lembro de mais nada...
Passou zunindo por mim
Assobiando, varrendo
Um vento de arrepiar
Parecia o final dos tempos
Me sentei no chão com medo
Pra não dizer pavor
Chamei Deus Nosso Senhor
Pois só Ele me ouviria
Naquela estrada deserta
Parecendo, ao meio dia
Só eu habitar por lá...
E então desabou a chuva
Muita pedra enchendo o chão
Coração batendo forte
Senti medo da morte
Morrer tão nova, não dá...
Tinha comigo meus livros
E os cadernos de escola
Estavam num embornal,
De tecido alvejado
Foi minha mãe quem fez
Ensopado, até pingava...
Meu lanche de puro pão
Inteirinho se desfez
Naquele dia de chuvas
Ventos, raios, trovoadas...
Alguém passando me viu
E me levou pra casa
Disseram que desmaiei, não sei...
Não me lembro de mais nada...
N. 207
PEGAR O BONDE
Pegar o bonde que segue
Passando célere
Pela vida que passa
Onde passam as alegrias
Os sabores, dissabores
E os amores passam também...
Somos grãozinhos de areia
Na grandeza disso tudo
Então, é bom estar atentos
Em não passar feito o vento
Que passa sem nem olhar...
Que prestemos atenção
A tudo o que nos cerca
E que em nossos corações,
Nunca habite a triste inveja
Ou a ganância que cega
Nem a soberba que almeja
Ser melhor do que o outro...
Que vivamos sempre prontos
Pra tomar as decisões
Pegar rápido o bonde
Antes que passe por nós
Sem nem sequer percebermos
Mas que seja o bonde certo
Que nos conduza libertos
De qualquer tripulação
Pois nas tribulações da vida
É preciso caminhar
Ao lado de qualquer um
Sem no entanto nos atermos
Àqueles que por desleixo
Não pegam bonde nenhum...
237
PALAVRAS AO VENTO
Palavras
Jogadas
Ao vento
Catavento
Leva o vento
Se dispersam
Diluem... conduzem
Seduzem...induzem
Palavras...
Pensadas
Repensadas
Bem faladas
Deturpadas
Benditas
Mal ditas
Não ditas
Aflitas
Desditas...
Meias palavras
Pausadas
Simples
Rebuscadas
Doces ou amargas
Mal ou bem intencionadas
Tantas palavras....
Trancadas
Silenciadas...
Na dor caladas....
Palavras
Jogadas
Ao vento
Catavento
Leva o vento
Se dispersam
Diluem... conduzem
Seduzem...induzem
Palavras...
Pensadas
Repensadas
Bem faladas
Deturpadas
Benditas
Mal ditas
Não ditas
Aflitas
Desditas...
Meias palavras
Pausadas
Simples
Rebuscadas
Doces ou amargas
Mal ou bem intencionadas
Tantas palavras....
Trancadas
Silenciadas...
Na dor caladas....
Número 508
PORTAS ABERTAS
Abro as portas... todas elas...
As da frente e dos fundos
Se pudesse abrir o mundo
Abriria sem pensar
Não deixaria sequer
Uma porta sem abrir
Nem tampouco se fechar...
Abriria, alargaria
Qualquer porta ou potão
Pra entrar qualquer pessoa
Que quizesse aqui morar
Mas abro meu coração
Pra deixar que todos entrem
Sem entraves, empecilhos
E ao ver todos chegarem,
Vou espalhar qualquer brilho
Que eu possa ter comigo...
Quero tirar da memória
Do baú da minha história
As mais gostosas lembranças
Pra espalhar, deixar de herança...
Quero dar da minha aurora
Seu eterno renascer
Dividir minha alegria
E no alvorecer do dia
Quero dar o meu abraço
E pedir que vocês fiquem...
Pois na casa onde eu vivo
Cabem todos os seus donos
Ela é minha, é de vocês
Dos que passam, dos que ficam
Dos que vêm buscar abrigo
É a casa dos meus sonhos
A morada que me habita
Vivo nela... ela em mim...
Um dia de cada vez
Ambas cheias de vida...
As duas são de vocês..... Abro as portas... todas elas...
As da frente e dos fundos
Se pudesse abrir o mundo
Abriria sem pensar
Não deixaria sequer
Uma porta sem abrir
Nem tampouco se fechar...
Abriria, alargaria
Qualquer porta ou potão
Pra entrar qualquer pessoa
Que quizesse aqui morar
Mas abro meu coração
Pra deixar que todos entrem
Sem entraves, empecilhos
E ao ver todos chegarem,
Vou espalhar qualquer brilho
Que eu possa ter comigo...
Quero tirar da memória
Do baú da minha história
As mais gostosas lembranças
Pra espalhar, deixar de herança...
Quero dar da minha aurora
Seu eterno renascer
Dividir minha alegria
E no alvorecer do dia
Quero dar o meu abraço
E pedir que vocês fiquem...
Pois na casa onde eu vivo
Cabem todos os seus donos
Ela é minha, é de vocês
Dos que passam, dos que ficam
Dos que vêm buscar abrigo
É a casa dos meus sonhos
A morada que me habita
Vivo nela... ela em mim...
Um dia de cada vez
Ambas cheias de vida...
235
PALCO E PLATÉIA
Cada vez mais,
Me encontro
Representando neste palco...
Mas intercalo;
Sou platéia também
Aplaudo...
Me enquadro,
Entre tantos desalmados
Desditos... contritos... desolados...
Quando no palco,
Choro e rio ao mesmo tempo
Relembro momentos...
Insegura, busco rostos
Que aprovem meus delírios
Ou que ao menos,
Me demonstrem complacência...
Tenho ciência,
Mas urge tomar consciência
Do sagrado em mim...
E a platéia ri, chorando;
Eu peço aplausos,
Eles não vêm;
Meu rosto transfigurado,
Mostra a dor do desagrado;
Faço lá meu desagravo
E a cena continua;
Nua e crua...
Nossos olhares se cruzam
Assustados, demonstrando
Que nossos fantasmas
Continuam lá...
Se divertem nos assombrando...
Brincam com a nossa dor...
Contenho meus ais
Não consigo mais
Encarar tanta tristeza;
Crueza nas almas vãs;
Eu me pergunto então :
Quero ser sã ?
Já não me importo
Com os aplausos que não vêm
O choro e o riso se misturam,
São tudo a mesma coisa
Pessoas passam
Mescladas de luz e trevas
Passo por elas
E elas por mim
Me chamam,
Proclamam que é o fim
Da insanidade
Da matança
Das mentiras...desigualdades...
É o fim de qualquer maldade...
Prometem amor umas às outras;
Eu as sigo,
A dor é a mesma
Mas na fraternidade,
Conto com elas
E elas comigo;
Me abrigo nelas
E elas em mim
Enfim...
Somos palco e platéia
Misturados no mesmo barco
Oscilando nas marés
Buscando desesperadamente a fé...
E na escuridão da noite,
Ou na luz do dia;
Na fé e em comunhão,
Nos completamos;
Em riso e pranto,
Palco e platéia
No amor se revelando...
Me encontro
Representando neste palco...
Mas intercalo;
Sou platéia também
Aplaudo...
Me enquadro,
Entre tantos desalmados
Desditos... contritos... desolados...
Quando no palco,
Choro e rio ao mesmo tempo
Relembro momentos...
Insegura, busco rostos
Que aprovem meus delírios
Ou que ao menos,
Me demonstrem complacência...
Tenho ciência,
Mas urge tomar consciência
Do sagrado em mim...
E a platéia ri, chorando;
Eu peço aplausos,
Eles não vêm;
Meu rosto transfigurado,
Mostra a dor do desagrado;
Faço lá meu desagravo
E a cena continua;
Nua e crua...
Nossos olhares se cruzam
Assustados, demonstrando
Que nossos fantasmas
Continuam lá...
Se divertem nos assombrando...
Brincam com a nossa dor...
Contenho meus ais
Não consigo mais
Encarar tanta tristeza;
Crueza nas almas vãs;
Eu me pergunto então :
Quero ser sã ?
Já não me importo
Com os aplausos que não vêm
O choro e o riso se misturam,
São tudo a mesma coisa
Pessoas passam
Mescladas de luz e trevas
Passo por elas
E elas por mim
Me chamam,
Proclamam que é o fim
Da insanidade
Da matança
Das mentiras...desigualdades...
É o fim de qualquer maldade...
Prometem amor umas às outras;
Eu as sigo,
A dor é a mesma
Mas na fraternidade,
Conto com elas
E elas comigo;
Me abrigo nelas
E elas em mim
Enfim...
Somos palco e platéia
Misturados no mesmo barco
Oscilando nas marés
Buscando desesperadamente a fé...
E na escuridão da noite,
Ou na luz do dia;
Na fé e em comunhão,
Nos completamos;
Em riso e pranto,
Palco e platéia
No amor se revelando...
QUADROS - 20
Olho tudo à minha volta
Ando aqui, ando acolá
Miro um quadro na parede
Tanta história pra contar...
Só um quadro dá cem livros
Olho outro pouco antigo
Mas histórias tem de sobra
Quanta gente viu aqui
Quantas falas se cruzaram
Mãos que se tocaram
Abraços, beijos, afagos
Tantas festas ele viu....
Reuniões com os amigos
Risos, cheiros e sabores
Amores enchendo a casa
Choros e gargalhadas
Histórias e mais histórias
Crianças fazendo manha
Criancinhas tão queridas
Saudáveis, cheias de vida
Rindo, brigando, pedindo
Pipocas, balas, sorvetes
Água, sem nem ter sêde...
Vovó, conta uma história
Delícia de brigadeiro...
Esse é meu...peguei primeiro
Quanta história viu o quadro
Tão cúmplice de mim
Passo por ele, me olha
Mudo, quieto, pendurado
Sei bem o que quer dizer..
Ás vezes até me consola
Sabe tudo o belo quadro...
n. 220
n. 241
QUEM DERA
Quem dera ser um pássaro
Uma abelha... um zangão
Pra voar e buscar longe
Seu imenso coração...
Levaria até você
Meu sorriso largo e fácil
Entregaria o que fosse
Só pra ver você sorrir
Tiraria toda dor
Que corrói e dilacera
Sua alma tão sofrida...
Quem dera ser colibri
Pra voar, buscar aí
O doce do seu olhar
Deixando em si, o que fosse
Que pudesse aliviar
Sua angústia, seu pesar...
Quisera eu ter o dom
De poder inocular
A seiva da alegria
Dia e noite... noite e dia
E trazer de recompensa
A ciência em você
De amor, sabedoria
E do bem que mora aí...
Quisera, quisera muito
Ser pra você puro alento
Descobrir na dor que dói
Qual unguento eu posso usar
Pra sanar seu sofrimento...
Quem dera fosse um zangão
Pra cravar forte em você
A ferroada mais doída
E na dor do despertar,
Acordar você pra vida...
QUASE BICHO
Certa vez, homem estranho
Passou perto onde eu morava
Havia lá, um milharal fechado
E alguns pés de melancia;
Eu então o vi sentado
E com enorme faca,
Cortava uma grande fruta
Tão vermelha... tão madura...
Depois, comeu feito bicho
Depois, comeu feito bicho
Esfaimado... dava nojo
O jeito que ele comia...
Me escondi por entre o milho
E curiosa eu olhava
Mas o homem não me via
Nem se ia...
Se pôs a cantarolar
Mistura de um grunhido
Com sons que eu nunca ouvi;
Eu fui ficando com medo
Não adiantava gritar
Caso ele me seguisse;
Então andei bem devagar
Fazendo o caminho contrário
Do lugar onde ele estava;
Mas eis que de repente
Um grande pássaro voou
Bem na minha frente
Levei um susto... gritei...
Me vi perdida... pensei
É agora que ele vem
Mas ele nem se mexeu
Eu corri, varei a cerca
Que divisava a roça da casa
Cheguei esbaforida, chorando,
Meu pai veio me acudir
Contei-lhe o acontecido
Ele me passou um sermão
Que eu nunca mais fosse longe
Sem a companhia de alguém...
E então, já bem noitinha
Quando o terço era rezado,
Ouvimos bater na porta;
Minha mãe pediu silêncio
Meu pai foi logo atender
E espiando eu vi
Era ele...reconheci;
Sujo, barba bem comprida
Tinha nos pés, alpargatas rotas
Carregava um saco imundo
E uma faca na cintura
Fazia gestos... Meu pai nada entendia
Então eu compreendi tudo...
O pobre não percebeu
Quando eu dei aquele grito
Porque era surdo-mudo...
181
QUARTA DE CINZAS
É quarta feira
Cinzenta
De cinzas nas igrejas...
Nem bem ainda,
O riso se apagou
No rosto da colombina
No olhar do pierrô...
Serpentinas e confetes
Caem ainda
Das vestes
De quem se travestiu;
Cobrem corpos em desencanto
Fantasiando
Vestígios do que passou...
Carnaval de samba
Carnaval de preces
Enlutece agonizando;
É outro dia
E Maria não acorda
Não concorda
Discorda
De enfrentar o dia a dia
Nudez da alma exposta
Mudez ao acordar
Viver sofrido
Sem samba pra acompanhar
Só restam fantasias
Colombina já não é...
E agora, Jose?
Pierrô calçou botinas
Lava latrinas
Na praça da Sé...
É preciso coragem
Ter fé...
Esquecer o que passou;
Mas as cenas vão passando
Povoando, fustigando
A cabeça do pierrô;
É quarta feira cinzenta
Das cinzas do seu amor
Nem bem ainda
O sol chegou
Pobre pierrô...
Sua amada colombina
Encantada e linda
Desertou,
Sem avisar...
Entregou a fantasia
Persignou-se
Tomou cinzas
Até chorou
Ao pensar no seu pierrô
De botinas...tão sem fé...
Então,
Saiu de mansinho
Abriu seu largo sorriso
E foi à praça da Sé...
REBELDIA - 30
Quanto trabalho eu tive
Pra desentortar, remodelar
E salvar como pudesse
Aquilo que já em mim
Se encontrava.... estava lá...
Esperando pra aflorar... florescer
Dar frutos, amadurecer...
Que luta travei bem cedo
Mesmo com tanto medo
Pra desdizer os ditos
Desentortar os mitos
Driblar os ritos
Vencer tabus, preconceitos
Salvar os meus direitos
De apenas ser feliz
Quanta doideira
Canseira pra remediar
Remendar, cerzir as vestes
Pra quando eles m’as pusessem
Usasse sem questionar...
Rebeldia...era assim
Calcada dentro de mim
Fervendo por não poder
Saciar a fome de ser eu...
Sim, eu queria ser
Aquilo que eu quizesse
E não deixar que fizessem
O que sempre eles diziam,
Ser o melhor pra mim...
Não... muitas vezes não era
Mas enfim, naqueles tempos
Eram outros pensamentos
E os meus, como diziam
Destoavam dos argumentos
Que eles pensavam ter...
Ah... quanto trabalho eu tive...
Mas posso dizer que valeu
Nunca ter me acomodado
Sim... fui rebelde no passado...
Quanto trabalho eu tive
Pra desentortar, remodelar
E salvar como pudesse
Aquilo que já em mim
Se encontrava.... estava lá...
Esperando pra aflorar... florescer
Dar frutos, amadurecer...
Que luta travei bem cedo
Mesmo com tanto medo
Pra desdizer os ditos
Desentortar os mitos
Driblar os ritos
Vencer tabus, preconceitos
Salvar os meus direitos
De apenas ser feliz
Quanta doideira
Canseira pra remediar
Remendar, cerzir as vestes
Pra quando eles m’as pusessem
Usasse sem questionar...
Rebeldia...era assim
Calcada dentro de mim
Fervendo por não poder
Saciar a fome de ser eu...
Sim, eu queria ser
Aquilo que eu quizesse
E não deixar que fizessem
O que sempre eles diziam,
Ser o melhor pra mim...
Não... muitas vezes não era
Mas enfim, naqueles tempos
Eram outros pensamentos
E os meus, como diziam
Destoavam dos argumentos
Que eles pensavam ter...
Ah... quanto trabalho eu tive...
Mas posso dizer que valeu
Nunca ter me acomodado
Sim... fui rebelde no passado...
n. 191
RENASCER...
Eu sou dentre todos,
Grãozinho cheio de vida;
Vim da terra
Vim do ventre
Da semente posta alí..
Cresci tropeçando em pedras
Separei ervas daninhas
Semeei as minhas flores
Me enchi de alegrias
Renascendo a cada dia...
Festejo cada momento
Qualquer acontecimento...
São de todos, os meus braços
Que abraçam o Universo...
Sou o inverso da tristeza
Sou de todos... Crio laços
Me divido em comunhão
Sou criança imaculada
Arrependida das faltas
Mas falhando em profusão...
Sou o Sêr que me deu vida;
Perpetuo em mim, a saga
Dos benditos ancestrais...
Tenho um coração de anjo
Tenho a maldade insana
Dos desumanos banais...
Nasci alma iluminada
Ganhei corpo de mulher
Meu espírito habita
Desde muito, tantos corpos
Tantos ventres conheceu...
Minha alma, enfim, comanda,
Um corpo que não é meu...
Batam palmas...
Venham todos
Festejar o renascer...
Não precisa haver remorsos
Só desejos de aprender;
Somos todos tão iguais...
Nossos sonhos são os mesmos
Sejam grandes ou pequenos
Importantes, ou banais...
Venham...Fiquemos juntos
Temos assuntos de sobra;
Eu me junto a vocês
Pra cantar em harmonia
E me farto da alegria
Que existe em todos nós;
Somos fênix...
Renascemos todo dia
Renascemos toda hora
Temos dentro, uma só voz
É antiga a nossa aurora...
Nossa história está em nós
Renasçamos, pois, das cinzas
Que ainda aí estão
Adormecidas, mas vivas
No despertar da razão...
Eu sou dentre todos,
Grãozinho cheio de vida;
Vim da terra
Vim do ventre
Da semente posta alí..
Cresci tropeçando em pedras
Separei ervas daninhas
Semeei as minhas flores
Me enchi de alegrias
Renascendo a cada dia...
Festejo cada momento
Qualquer acontecimento...
São de todos, os meus braços
Que abraçam o Universo...
Sou o inverso da tristeza
Sou de todos... Crio laços
Me divido em comunhão
Sou criança imaculada
Arrependida das faltas
Mas falhando em profusão...
Sou o Sêr que me deu vida;
Perpetuo em mim, a saga
Dos benditos ancestrais...
Tenho um coração de anjo
Tenho a maldade insana
Dos desumanos banais...
Nasci alma iluminada
Ganhei corpo de mulher
Meu espírito habita
Desde muito, tantos corpos
Tantos ventres conheceu...
Minha alma, enfim, comanda,
Um corpo que não é meu...
Batam palmas...
Venham todos
Festejar o renascer...
Não precisa haver remorsos
Só desejos de aprender;
Somos todos tão iguais...
Nossos sonhos são os mesmos
Sejam grandes ou pequenos
Importantes, ou banais...
Venham...Fiquemos juntos
Temos assuntos de sobra;
Eu me junto a vocês
Pra cantar em harmonia
E me farto da alegria
Que existe em todos nós;
Somos fênix...
Renascemos todo dia
Renascemos toda hora
Temos dentro, uma só voz
É antiga a nossa aurora...
Nossa história está em nós
Renasçamos, pois, das cinzas
Que ainda aí estão
Adormecidas, mas vivas
No despertar da razão...
n. 251
RIO DE DORES
Bem perto da casa triste
Passa o rio silencioso
Sem pressa... vagaroso
Levando consigo as rezas
Dos crentes que habitam lá...
São moradores das margens
Marginalizados... amargando
Imagens empobrecidas
Tais quais suas próprias vidas...
Passa ainda o rio por lá
Chorando lento,
Distraído ao passar...
Leva consigo os prantos
Chorados anos a fio
Naquele triste lugar...
Leva em si também os hinos
Desafinados... em desalinho...
Daquelas almas sofridas
Sufocadas nos lamentos
Sustentadas, embaladas,
Na correnteza das águas
Já cansadas de arrastar
As mágoas daquela gente...
É tão triste ver o rio
Passar assim... cabisbaixo;
Pobre rio correndo manso
Pensando no seu remanso:
“aqui eu não passo mais”...
Qual o que... doce ilusão
Sua sina é passar...
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