Número 141
MENINA LINDA
Por acaso a encontrei
Quanta honra isso me deu
Quanto ela me ensinou
Pergunto... existe acaso?
Acredito nos caminhos
Que ao trilharmos, conduzimos
Os nossos passos incertos
Chegando se assim quisermos
Mesmo que inconscientes
Com certeza ao lugar certo
Procurava eu por alguém
Não encontrei... perguntei
Pra moça que vi ao passar
Você pode me atender?
Assentindo, sorriu-me largo
Parecia me conhecer de longe
Pode ser... diriam alguns
Eu porém, nem questiono
Acredito... há muito que a conheço
E durante o curto tempo
Em que lá permaneci
Contou-me sua vida inteira
Ah menina... quanta riqueza
Eu vi dentro de você...
Quanta paz está contida
Nessa alma que a habita
Mesmo com tantas histórias
Algumas tão dolorosas
Que a vida escreveu
E a fez protagonista...
Mas sabe, menina linda
O que mais me incomodou
Das várias histórias tristes
Que pra mim você contou?
Foi sem sombra de dúvida
Seu estupro aos cinco anos...
Um parente a molestou...
Chorei junto com você
Choramos a sua dor
Tudo sem dizer nada...
Sei aquilo que pensava
Choramos nossa impotência...
Diante de tantas crianças
Que foram, são
E ainda serão molestadas...
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Número 142
MINHA AMIGA DURVALINA
Querida...
Quão injusta eu seria
Não mencionasse aqui
Ao menos um pouquinho
Daquilo que toda a vida
Estou para lhe dizer
Pois vivemos tantos anos
Tão pertinho uma da outra
E você, melhor que ninguém
Conhece a minha saga
Pensa que me esqueci?
Não... Jamais me esqueceria...
Sou tão grata, minha amiga...
Também à sua família
Quanto devo... sim, querida...
Vou dever até morrer...
Quanto fez você por mim
Foi bastante mãe também
Pois nunca mediu esforços
Mesmo nas adversidades
Me deu colo, deu-me tanto
Sempre mais do que podia
Me fez membro da família
Quando ainda tão criança
E na tenra juventude
Do seu colo precisei...
Generosa é você...
Generosos são seus filhos
Seu Antônio, tão saudoso
Homem bom, sinto saudade
Foi tão pródigo comigo
E você, nobre mulher...
Matriarca, grande dama
Carrega em si tanto amor...
Quanta história você fez...
Deve ter lindas lembranças
Pois sempre fez muito bem
A todos que a cercaram
E ainda vive firme, saudável
Pra nossa grande alegria
É tão bom vê-la feliz
Mulher... você nos encanta
Sim querida... Você é santa...
Beijo com muita gratidão você, Durvalina Marchioni
Paschoal e toda sua linda família.
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número 143
UMA ROSA COM AMOR...
A mim foi dada uma rosa
Presente raro... relíquia...
Feita em tecido, mesclada
Misturada em dégradé
Com pétalas em lilás
Tão leve e delicada
Predomina o rosa bebê
Que linda!... fiquei sem fala
Sim... de emoção eu chorei
Ninguém viu... sequei a lagrima
Que teimava denunciar
Uma emoção tão antiga
Furtiva, molhou-me o rosto
O ato embargou-me a fala
O meu choro foi sutil
Mas a emoção... ah... tão rara
Sim ganhei uma flor
Tão antiga... há tanto confeccionada
Por mãos hábeis... delicadas
Tanto quanto a flor em si
Mãos que tanto produziram
Só o belo trabalharam
Na faina da vida dura
Na rudeza do arcaico...
Que forjando na labuta
Transformavam em beleza
A matéria-prima bruta...
Falo de você, tia Inês
E da rosa que me deu
Tão antiga... e nem se percebe
Pois tinha tanto bom gosto
Que até hoje permanece
Demonstrado nessa flor
Tia... quanta história têm suas mãos...
Nas marcas de tantos anos
Na faina da vida antiga
Tudo tão rudimentar...
Mas você sempre inventava
Tinha o dom de transformar
Tia... você fez tanto...
A rosa é só um símbolo
Lembrança do seu viver
Obrigada, tia Inês
Beijo você mulher linda
E a vejo nessa flor
Pois nela estão contidas
As marcas da sua vida
Impregnando de amor
A flor que você me deu...
Agradeço à minha prima Silvinha
Pela iniciativa do ato.
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Número 144
TRISTEZA
Quando vem ela me cala
E calada então eu fico
Por vezes sem ter motivo
Mas então... porque me veio...
Que tristeza boba é essa?
E o que vem fazer aqui?
Não dou
colo...
Xô
tristeza...
Se veio sem
ter licença
Aqui não
pode ficar
Não é esse
meu sistema
Sou
alegre... sou feliz
Mas ela
teima...aparece
Vez em
quando... isso é normal?
Um nó preso
na garganta
Que a
vontade é de chorar
Choro
fácil... mando embora
Mas a danada
não vai
Procuro
espantar, burlar
Jogar fora meu
penar
Ela teima,
mas eu reino
Não... aqui
não vai ficar
Sou dona
desse lugar
Penso em
quanto sou feliz
Saio...
respiro fundo
Vejo as
flores que cultivo
Admiro suas
cores
Conto os
botões se abrindo
Sinto a
beleza nas mãos...
Vem-me o
cheiro do vizinho
Impregnando
meu ar
Cheiro
doce... cafezinho
Burburinho
no falar
Gargalhadas
ressoando
Sinto a vida
vicejar
Em todo o
canto que eu olho
A beleza tem
lugar
Na criança
me sorrindo
Na alegria
de quem passa
Só pra me
cumprimentar
Tomo junto
um cafezinho
Sou feliz
nas coisas simples
Tenho sim
minhas tristezas
Às vezes...
mas não sou triste
Tristezas...
quem não as tem?
Mas não
precisa ficar
Mando embora
quando vem
Porque sei
que o bom em mim
É bem maior
que o penar...
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Número 145
FRANCISCO
MEU AMOR
Há muito que
eu te esperava
Desde
criança, talvez...
Ninguém
nunca soube disso
Nem eu
tampouco sabia
Pois o
descobri faz pouco
Vasculhando
pensamentos...
Ao ver pela
TV
Teu sorriso,
teu afago
Olhar cheio
de amor
Vi teu rosto
iluminado
Consagrando
o consagrado
Vi o Cristo
em teu semblante
Coisa rara
de se ver...
Tua
humildade me encanta
Tantos anos
esperando
Alguém que
viesse pronto
Pra tirar os
tantos ranços
Dessa igreja
détraqué
Sofri muito
as consequências
Do arcaico
dessa igreja
Aqui não vou
mencionar
Não quero
ferir lembranças
Nas andanças
dessa vida...
Religião...
tenho todas
Meu Deus é
universal
E então, ao
que me consta
Vens mostrar
um Deus sem pompas
Um Deus de
amor sem reservas
Clareando
enfim as trevas
Debelando preconceitos
Mostrando o
que é direito
Pautado no
amor ao próximo
Já que o
próximo sou eu
O próximo é
você...
Viemos de um
mesmo Ser...
Seja bem
vindo Francisco
Que Deus
esteja contigo
Iluminando
os teus passos
Pois estamos
confiantes
Que enfim,
com teu amor
Discernimento
e coragem
Coloque
ordem na casa
Mostre ao
mundo outra imagem
Aquela que
eu e todos
Gostaríamos
de ver
Um mundo
onde os direitos
Sejam os
mesmos pra todos
Onde impere
a justiça
E o amor não
tenha medo
De encarar
os preconceitos
Gerados desde
os primórdios
Devastando
sem reservas
Brincando com
a dor do outro...
Seja bem
vindo Papa Francisco
O mundo te
espera há tanto...
Não nos
decepcione, amado
Há tempos
nós te aguardamos...
Que Deus te
proteja...
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Número 147
SOFRER
Muitas vezes
me pergunto
Será preciso
sofrer tanto?
Já que a
vida é curta e bela
E tão
pródiga conosco...
Tantas
graças recebemos
Tantos
bens... quanta beleza!
Porque então
nós nos atemos
Quase sempre
ao pequeno?
Coisas sem
real valor
Nem vemos o
bem maior
Por não
estarmos atentos
Ou por
faltar gratidão
A tudo
aquilo que temos...
Contratempos
hão de vir
Muitas vezes
nos surpreendem
E tiram o
nosso chão
Tais como um
bem perdido
Um filho que
nos deixou
Um amigo que
partiu
O amor que
debandou
Notícias
tristes do outro
Qualquer
coisa pode vir
Tudo pode
acontecer
Mas
sofrer... sofrer resolve?
Lamentar...
lamuriar...
Remoer a dor
alheia...
Ruminar a
própria dor
Não resolve,
com certeza
Pode parecer
simplista
Já que
muitos sofrem tanto...
Me condoo
com seus prantos
Dou meu
ombro se puder
Choro junto,
no entanto...
Me reservo o
direito
Não ser
tanto o meu sofrer
Pois aprendi
com o tempo
Que a dor de
cada um
E o sofrer
do que vier
Mesmo que
forte a razão
Tem a
dimensão que se der...
...................................................
Número 148
AMOR...CADÊ
VOCÊ?
Onde foi que
o perdemos
Nós seres
feitos humanos
Deixando-o
sem mais porque
Pois sempre
esteve aqui
Em mim em
nós em vocês
Bem
dentro... ou muito perto
Muitas
vezes... encoberto
Mas esteve
bem aqui...
Veio
conosco... vibrante
Inato... de
peito aberto
Nascemos
juntos... remamos
O mesmo
barco incerto
É... O amor
esteve aqui
Em mim... em
nós... em vocês...
E então...
quando foi que debandou
Em qual
esquina da vida
Nos perdemos
de você...
Onde foi que
se meteu
Volta...é
tão triste de se ver
Tanto humano
se perder
Na maldade,
na dureza
Na crueza da
miséria
Das
tragédias... do rancor
Tanto
ódio... quanta dor
Vem... volta
habitar em nós
Sem amor...
viver que jeito...
Não tem
jeito... assim não dá...
Vem encher a
nós humanos
De esperança,
de perdão
Enche a nós
de gratidão
Pela vida...
dom maior...
Por benesses
incontáveis
Vem amor...
volta depressa
A raça
humana tem pressa
Vem morar em
nossa alma
Vem criar
raiz em nós
Fazer de nós
o que somos
E enfim, sem
mais demora
Jogar a
maldade fora...
................................................
Número 149
TEMPO BOM
Se está
frio, nós reclamamos
Se é
calor... que tempo quente
Chove? Que
chuva chata...
Se estiagem,
poeira ou vento
Ficamos
olhando o céu
E pedindo
que o bom Deus
Mande a tal
chuva pra gente
Podia bem
ser de outro modo
Aceitar
melhor o tempo...
Já notou que
reclamamos
De coisas
incomodando
Sem razão,
só por costume?
Às vezes nem
percebemos
As lamúrias,
os queixumes
Tão
acostumados somos
A lamentar,
reclamar
Só pra ter o
que falar...
Sei porém,
que muitas vezes
Tempestades,
ventos fortes
Calor
matando inclemente
Estiagem
prolongada
Ou o frio
que até mata
São difíceis
de aceitar
Sem sofrer,
sem reclamar
Mas falo do
suportável
Melhor, falo
do viável
Daquilo que
já sabemos
Pois o tempo
é mesmo assim
Frio, calor,
chuva ou sol...
Qualquer
tempo o tempo é bom
Não existe
tempo ruim...
..................................................................
Número 150
MINHA
QUERIDA URUPÊS
Me criei
nesta cidade
Lá vivi
desde os meus seis
E saí aos
vinte e dois
Idade em que
me casei
Urupês ...
quantas lembranças...
Tanta
história pra contar
Caberiam
tantos livros
Pras
histórias eu narrar...
Urupês...
tenho carinho
Gratidão...
e tudo o mais
Por você que
me acolheu
E então, o
que falar
Da sua gente
querida
Que ao longo
de tantos anos
Me abraçou,
me viu crescer
Acompanhou-me
de perto
Viu meus
risos descabidos
Viu meus
choros tão sentidos
Minhas
perdas e meus ganhos
Bem mais
ganhei... não perdi...
Viu-me
triste e tão alegre
Riu das
minhas gargalhadas
Minha marca
registrada
Viu-me
insana feito poucos
Viu-me pouco
comportada
Pois para
aqueles velhos tempos
E para
certos parâmetros
Eu era bem
avançada
Mas
também me viu bendita
Me viu com
olhos maternos
Na minha
árdua jornada...
Olho atrás,
penso comigo
Tenho lá
tantos amigos
Urupês...
amo você
Sua gente de
outros tempos
Amo seus
descendentes
Gente boa,
minha gente
Solícita e
tão presente
Sempre que
eu precisasse
Até hoje...
anos e anos depois
Sempre que
volto lá
Percebo o amor
que ficou
Nos antigos
do meu tempo
E também dos
tempos outros
Que vieram
bem depois
Sou grata
Urupês querida
A você...
acho tão linda
Sua
igreja... sua praça
Seu
bucolismo tem graça
Tem
histórias... tanto amor
Nos sonhos
que são de todos
Os que ficam
e os que vão
E os que
voltam pra buscar
Sossego e
paz no seu leito...
Você cresceu
minha linda
Não é mais
tão pequenina
Tornou-se
então produtiva
Progrediu,
gerou empregos
Mas ainda
tem o sossego
Do seio de
quem abriga...
Urupês...
pisei tanto suas ruas
Nas lamas
das grandes chuvas
E ao
cobrirem você de asfalto
Estava eu lá
pisando o piche...
Acompanhei
cada passo
Sujei os
meus pés descalços
No chão que
agora eu beijo
Pra
reverenciar você querida
E dizer
muito obrigada
Pela sua
acolhida
Pois sempre
que precisei
Meus
chamados atendeu
Não só os
meus, dos meus pais,
Avós,
irmãos, marido, filhos...
Sim...dos
meus filhos também...
Enfim, a
caçula nasceu lá
Brincaram
nas suas ruas
Frequentaram
a mesma escola
Que um dia
eu frequentei
Grupo
escolar de Urupês
Obrigada,
gente boa
Obrigada,
terra minha...
Beijo o seu
chão tantas vezes
Me curvo a
você, tão querida...
Agradeço a
todos os urupeenses que de uma forma ou outra participaram e ainda participam
da minha vida. Beijo a todos.
................................................................
Número 151
GRAÇAS EU
DOU
Pela vida em
mim gerada
Pelos pais
que me trouxeram
Ascendentes,
meus parentes
Descendentes,
filhos, netos...
Graças dou
por ter nascido
Saudável, de
pais amigos
Num lar onde
toda a dor
Se
transformou em aprendizado
As amarguras
e as faltas
Trouxeram um
presente raro
Graças dou
pelo que fui
Sou e ainda
serei
Nos caminhos
tão incertos
Grandiosos e
complexos
Que eu ainda
trilharei
Graças dou
pelo passado
Pelo
presente do Ser
Que me
habita, tão presente
Gerando
força e coragem
Alegria e
vontade
Pra tocar o
barco adiante
Toda a
vida... vida afora
Pra conduzir
sempre pronta
Essa vida em
tantas glórias...
Graças dou por estar viva
E poder
amar, sentir
Na plenitude
da alma
O Ser que me
faz crescer
Mais e mais
a cada dia
Revelando as
alegrias
E os
prazeres do viver...
Graças dou
por crer no eterno
Daquilo que
vai ficar
Permanecer
para sempre
Depois que
eu me retirar...
Graças,
graças infinitas
Tantas
graças dou à vida
Pois olhando
bem lá atrás
Vejo o
quanto recebi
E então,
graças eu dou
Hoje,
sempre, todo dia
Toda hora,
toda a vida...
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