quarta-feira, 14 de agosto de 2013

TEXTOS NÚMERO 141 A 151



Número 141
MENINA LINDA
Por acaso a encontrei
Quanta honra isso me deu
Quanto ela me ensinou
Pergunto... existe acaso?
Acredito nos caminhos
Que ao trilharmos, conduzimos
Os nossos passos incertos
Chegando se assim quisermos
Mesmo que inconscientes
Com certeza ao lugar certo
Procurava eu por alguém
Não encontrei... perguntei
Pra moça que vi ao passar
Você pode me atender?
Assentindo, sorriu-me largo
Parecia me conhecer de longe
Pode ser... diriam alguns
Eu porém, nem questiono
Acredito... há muito que a conheço
E durante o curto tempo
Em que lá permaneci
Contou-me sua vida inteira
Ah menina... quanta riqueza
Eu vi dentro de você...
Quanta paz está contida
Nessa alma que a habita
Mesmo com tantas histórias
Algumas tão dolorosas
Que a vida escreveu
E a fez protagonista...
Mas sabe, menina linda
O que mais me incomodou
Das várias histórias tristes
Que pra mim você contou?
Foi sem sombra de dúvida
Seu estupro aos cinco anos...
Um parente a molestou...
Chorei junto com você
Choramos a sua dor
Tudo sem dizer nada...
Sei aquilo que pensava
Choramos nossa impotência...
Diante de tantas crianças
Que foram, são
E ainda serão molestadas...
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Número 142
MINHA AMIGA DURVALINA
Querida...
Quão injusta eu seria
Não mencionasse aqui
Ao menos um pouquinho
Daquilo que toda a vida
Estou para lhe dizer
Pois vivemos tantos anos
Tão pertinho uma da outra
E você, melhor que ninguém
Conhece a minha saga
Pensa que me esqueci?
Não... Jamais me esqueceria...
Sou tão grata, minha amiga...
Também à sua família
Quanto devo... sim, querida...
Vou dever até morrer...
Quanto fez você por mim
Foi bastante mãe também
Pois nunca mediu esforços
Mesmo nas adversidades
Me deu colo, deu-me tanto
Sempre mais do que podia
Me fez membro da família
Quando ainda tão criança
E na tenra juventude
Do seu colo precisei...
Generosa é você...
Generosos são seus filhos
Seu Antônio, tão saudoso
Homem bom, sinto saudade
Foi tão pródigo comigo
E você, nobre mulher...
Matriarca, grande dama
Carrega em si tanto amor...
Quanta história você fez...
Deve ter lindas lembranças
Pois sempre fez muito bem
A todos que a cercaram
E ainda vive firme, saudável
Pra nossa grande alegria
É tão bom vê-la feliz
Mulher... você nos encanta
Sim querida... Você é santa...
Beijo com muita gratidão você, Durvalina Marchioni Paschoal e toda sua linda família.
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número 143
UMA ROSA COM AMOR...
A mim foi dada uma rosa
Presente raro... relíquia...
Feita em tecido, mesclada
Misturada em dégradé
Com pétalas em lilás
Tão leve e delicada
Predomina o rosa bebê
Que linda!... fiquei sem fala
Sim... de emoção eu chorei
Ninguém viu... sequei a lagrima
Que teimava denunciar
Uma emoção tão antiga
Furtiva, molhou-me o rosto
O ato embargou-me a fala
O meu choro foi sutil
Mas a emoção... ah... tão rara
Sim ganhei uma flor
Tão antiga... há tanto confeccionada
Por mãos hábeis... delicadas
Tanto quanto a flor em si
Mãos que tanto produziram
Só o belo trabalharam
Na faina da vida dura
Na rudeza do arcaico...
Que forjando na labuta
Transformavam em beleza
A matéria-prima bruta...
Falo de você, tia Inês
E da rosa que me deu
Tão antiga... e nem se percebe
Pois tinha tanto bom gosto
Que até hoje permanece
Demonstrado nessa flor
Tia... quanta história têm suas mãos...
Nas marcas de tantos anos
Na faina da vida antiga
Tudo tão rudimentar...
Mas você sempre inventava
Tinha o dom de transformar
Tia... você fez tanto...
A rosa é só um símbolo
Lembrança do seu viver
Obrigada, tia Inês
Beijo você mulher linda
E a vejo nessa flor
Pois nela estão contidas
As marcas da sua vida
Impregnando de amor
A flor que você me deu...

Agradeço à minha prima Silvinha
Pela iniciativa do ato.
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Número 144

TRISTEZA

Quando vem ela me cala

E calada então eu fico

Por vezes sem ter motivo
Mas então... porque me veio...
Que tristeza boba é essa?
E o que vem fazer aqui?
Não dou colo...
Xô tristeza...
Se veio sem ter licença
Aqui não pode ficar
Não é esse meu sistema
Sou alegre... sou feliz
Mas ela teima...aparece
Vez em quando... isso é normal?
Um nó preso na garganta
Que a vontade é de chorar
Choro fácil... mando embora
Mas a danada não vai
Procuro espantar, burlar
Jogar fora meu penar
Ela teima, mas eu reino
Não... aqui não vai ficar
Sou dona desse lugar
Penso em quanto sou feliz
Saio... respiro fundo
Vejo as flores que cultivo
Admiro suas cores
Conto os botões se abrindo
Sinto a beleza nas mãos...
Vem-me o cheiro do vizinho
Impregnando meu ar
Cheiro doce... cafezinho
Burburinho no falar
Gargalhadas ressoando
Sinto a vida vicejar
Em todo o canto que eu olho
A beleza tem lugar
Na criança me sorrindo
Na alegria de quem passa
Só pra me cumprimentar
Tomo junto um cafezinho
Sou feliz nas coisas simples
Tenho sim minhas tristezas
Às vezes... mas não sou triste
Tristezas... quem não as tem?
Mas não precisa ficar
Mando embora quando vem
Porque sei que o bom em mim
É bem maior que o penar...
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Número 145
FRANCISCO MEU AMOR
Há muito que eu te esperava
Desde criança, talvez...
Ninguém nunca soube disso
Nem eu tampouco sabia
Pois o descobri faz pouco
Vasculhando pensamentos...
Ao ver pela TV
Teu sorriso, teu afago
Olhar cheio de amor
Vi teu rosto iluminado
Consagrando o consagrado
Vi o Cristo em teu semblante
Coisa rara de se ver...
Tua humildade me encanta
Tantos anos esperando
Alguém que viesse pronto
Pra tirar os tantos ranços
Dessa igreja détraqué
Sofri muito as consequências
Do arcaico dessa igreja
Aqui não vou mencionar
Não quero ferir lembranças
Nas andanças dessa vida...
Religião... tenho todas
Meu Deus é universal
E então, ao que me consta
Vens mostrar um Deus sem pompas
Um Deus de amor sem reservas
Clareando enfim as trevas
Debelando preconceitos
Mostrando o que é direito
Pautado no amor ao próximo
Já que o próximo sou eu
O próximo é você...
Viemos de um mesmo Ser...
Seja bem vindo Francisco
Que Deus esteja contigo
Iluminando os teus passos
Pois estamos confiantes
Que enfim, com teu amor
Discernimento e coragem
Coloque ordem na casa
Mostre ao mundo outra imagem
Aquela que eu e todos
Gostaríamos de ver
Um mundo onde os direitos
Sejam os mesmos pra todos
Onde impere a justiça
E o amor não tenha medo
De encarar os preconceitos
Gerados desde os primórdios
Devastando sem reservas
Brincando com a dor do outro...
Seja bem vindo Papa Francisco
O mundo te espera há tanto...
Não nos decepcione, amado
Há tempos nós te aguardamos...
Que Deus te proteja...
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Número 147
SOFRER
Muitas vezes me pergunto
Será preciso sofrer tanto?
Já que a vida é curta e bela
E tão pródiga conosco...
Tantas graças recebemos
Tantos bens... quanta beleza!
Porque então nós nos atemos
Quase sempre ao pequeno?
Coisas sem real valor
Nem vemos o bem maior
Por não estarmos atentos
Ou por faltar gratidão
A tudo aquilo que temos...
Contratempos hão de vir
Muitas vezes nos surpreendem
E tiram o nosso chão
Tais como um bem perdido
Um filho que nos deixou
Um amigo que partiu
O amor que debandou
Notícias tristes do outro
Qualquer coisa pode vir
Tudo pode acontecer
Mas sofrer... sofrer resolve?
Lamentar... lamuriar...
Remoer a dor alheia...
Ruminar a própria dor
Não resolve, com certeza
Pode parecer simplista
Já que muitos sofrem tanto...
Me condoo com seus prantos
Dou meu ombro se puder
Choro junto, no entanto...
Me reservo o direito
Não ser tanto o meu sofrer
Pois aprendi com o tempo
Que a dor de cada um
E o sofrer do que vier
Mesmo que forte a razão
Tem a dimensão que se der...
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Número 148
AMOR...CADÊ VOCÊ?
Onde foi que o perdemos
Nós seres feitos humanos
Deixando-o sem mais porque
Pois sempre esteve aqui
Em mim em nós em vocês
Bem dentro... ou muito perto
Muitas vezes... encoberto
Mas esteve bem aqui...
Veio conosco... vibrante
Inato... de peito aberto
Nascemos juntos... remamos
O mesmo barco incerto
É... O amor esteve aqui
Em mim... em nós... em vocês...
E então... quando foi que debandou
Em qual esquina da vida
Nos perdemos de você...
Onde foi que se meteu
Volta...é tão triste de se ver
Tanto humano se perder
Na maldade, na dureza
Na crueza da miséria
Das tragédias... do rancor
Tanto ódio... quanta dor
Vem... volta habitar em nós
Sem amor... viver que jeito...
Não tem jeito... assim não dá...
Vem encher a nós humanos
De esperança, de perdão
Enche a nós de gratidão
Pela vida... dom maior...
Por benesses incontáveis
Vem amor... volta depressa
A raça humana tem pressa
Vem morar em nossa alma
Vem criar raiz em nós
Fazer de nós o que somos
E enfim, sem mais demora
Jogar a maldade fora...
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Número 149
TEMPO BOM
Se está frio, nós reclamamos
Se é calor... que tempo quente
Chove? Que chuva chata...
Se estiagem, poeira ou vento
Ficamos olhando o céu
E pedindo que o bom Deus
Mande a tal chuva pra gente
Podia bem ser de outro modo
Aceitar melhor o tempo...
Já notou que reclamamos
De coisas incomodando
Sem razão, só por costume?
Às vezes nem percebemos
As lamúrias, os queixumes
Tão acostumados somos
A lamentar, reclamar
Só pra ter o que falar...
Sei porém, que muitas vezes
Tempestades, ventos fortes
Calor matando inclemente
Estiagem prolongada
Ou o frio que até mata
São difíceis de aceitar
Sem sofrer, sem reclamar
Mas falo do suportável
Melhor, falo do viável
Daquilo que já sabemos
Pois o tempo é mesmo assim
Frio, calor, chuva  ou sol...
Qualquer tempo o tempo é bom
Não existe tempo ruim...
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Número 150
MINHA QUERIDA URUPÊS
Me criei nesta cidade
Lá vivi desde os meus seis
E saí aos vinte e dois
Idade em que me casei
Urupês ... quantas lembranças...
Tanta história pra contar
Caberiam tantos livros
Pras histórias eu narrar...
Urupês... tenho carinho
Gratidão... e tudo o mais
Por você que me acolheu
E então, o que falar
Da sua gente querida
Que ao longo de tantos anos
Me abraçou, me viu crescer
Acompanhou-me de perto
Viu meus risos descabidos
Viu meus choros tão sentidos
Minhas perdas e meus ganhos
Bem mais ganhei... não perdi...
Viu-me triste e tão alegre
Riu das minhas gargalhadas
Minha marca registrada
Viu-me insana feito poucos
Viu-me pouco comportada
Pois para aqueles velhos tempos
E para certos parâmetros
Eu era bem avançada
Mas também  me viu bendita
Me viu com olhos maternos
Na minha árdua jornada...


Olho atrás, penso comigo

Tenho lá tantos amigos

Urupês... amo você
Sua gente de outros tempos
Amo seus descendentes
Gente boa, minha gente
Solícita e tão presente
Sempre que eu precisasse
Até hoje... anos e anos depois
Sempre que volto lá
Percebo o amor que ficou
Nos antigos do meu tempo
E também dos tempos outros
Que vieram bem depois
Sou grata Urupês querida
A você... acho tão linda
Sua igreja... sua praça
Seu bucolismo tem graça
Tem histórias... tanto amor
Nos sonhos que são de todos
Os que ficam e os que vão
E os que voltam pra buscar
Sossego e paz no seu leito...
Você cresceu minha linda
Não é mais tão pequenina
Tornou-se então produtiva
Progrediu, gerou empregos
Mas ainda tem o sossego
Do seio de quem abriga...
Urupês... pisei tanto suas ruas
Nas lamas das grandes chuvas
E ao cobrirem você de asfalto
Estava eu lá pisando o piche...
Acompanhei cada passo
Sujei os meus pés descalços
No chão que agora eu beijo
Pra reverenciar você querida
E dizer muito obrigada
Pela sua acolhida
Pois sempre que precisei
Meus chamados atendeu
Não só os meus,  dos meus pais,
Avós, irmãos, marido, filhos...
Sim...dos meus filhos também...
Enfim, a caçula nasceu lá
Brincaram nas suas ruas
Frequentaram a mesma escola
Que um dia eu frequentei
Grupo escolar de Urupês
Obrigada, gente boa
Obrigada, terra minha...
Beijo o seu chão tantas vezes
Me curvo a você, tão querida...
Agradeço a todos os urupeenses que de uma forma ou outra participaram e ainda participam da minha vida. Beijo a todos.
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Número 151
GRAÇAS EU DOU
Pela vida em mim gerada
Pelos pais que me trouxeram
Ascendentes, meus parentes
Descendentes, filhos, netos...
Graças dou por ter nascido
Saudável, de pais amigos
Num lar onde toda a dor
Se transformou em aprendizado
As amarguras e as faltas
Trouxeram um presente raro
Graças dou pelo que fui
Sou e ainda serei
Nos caminhos tão incertos
Grandiosos e complexos
Que eu ainda trilharei
Graças dou pelo passado
Pelo presente do Ser
Que me habita, tão presente
Gerando força e coragem
Alegria e vontade
Pra tocar o barco adiante
Toda a vida... vida afora
Pra conduzir sempre pronta
Essa vida em tantas glórias...
Graças  dou por estar viva
E poder amar, sentir
Na plenitude da alma
O Ser que me faz crescer
Mais e mais a cada dia
Revelando as alegrias
E os prazeres do viver...
Graças dou por crer no eterno
Daquilo que vai ficar
Permanecer para sempre
Depois que eu me retirar...
Graças, graças infinitas
Tantas graças dou à vida
Pois olhando bem lá atrás
Vejo o quanto recebi
E então, graças eu dou
Hoje, sempre, todo dia
Toda hora, toda a vida...
















 
 

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