quarta-feira, 14 de agosto de 2013

textos número 131 a 140



Número 131
REENCONTROS
Muitas vezes quando penso
Na riqueza que é a vida
Me lembro também com pena
De tanta coisa perdida
Da minha vida tão plena
De acontecimentos farta
Uns tão bons outros nem tanto...
Mas os fatos bem marcantes
Que me fazem tão contente
São reencontrar pessoas
De há muito já distantes
Pode ser algum parente
Amigo ou só conhecido
Que eu nem mesmo sabia
Se ainda estaria vivo
Mas que... longe, no passado
Tivemos ligações tão fortes
Trocamos nossas lembranças
Alegrias, esperanças
E sem nem saber porque
Ou sabendo, e sem querer
Nos distanciamos... perdemos
Vínculos tão profundos
Presenças tão valiosas
Doces amores de outrora
Ah… porque nos dispersamos…
Desperdiçando, quem sabe
Momentos tão grandiosos
Porém, nos consola saber
Que na vida sempre há tempo
De resgatar indo atrás
Pra reviver bons momentos
Trazendo uma vez mais
De volta, sem nem pensar
Aqueles a quem amamos
E que enfim, sempre soubemos
Da falta que nos fizeram
Quanta ausência dolorosa
Quanto amor desperdiçado
Haja tempo pra se ouvir
O que ficou sem dizer
E trazer lá do passado...
Ah!!! Que voltem, venham todos
E me aceitem plenamente
Sem nenhuma restrição
Pra que eu possa resgatá-los
E com muita gratidão
Tê-los aqui novamente
Que venham, mas sem demora
Qualquer dia, hoje, sempre...
Qualquer tempo... qualquer hora...
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Número 132
MEUS NATAIS DE OUTRORA
Faz tempo, faz muito tempo
Eu era muito novinha
E sonhava o ano todo
Com os natais que eu não tinha
Pois pra todas as crianças
Natal é e sempre foi
Ganhar brinquedos e doces
Mesa farta e o que for...
Tinha em frente à nossa casa
Uma árvore pequena
Nunca soube o nome dela
Mas prestava atenção
Quando ela florescia
Anunciava o Natal
Então eu ficava atenta
E ao vê-la em botões
Me alegrava em saber
Que o Natal se aproximava
E nunca entendi porque
Tal árvore me encantava...
Me lembro que meus vizinhos
Ganhavam em seus natais
Sempre algum brinquedinho
Mas a mim, tão pequenina
Ensinavam um Deus Menino
Passando na madrugada
Montado no seu burrinho
Pra deixar nossos presentes...
Também nunca compreendi,
A injustiça praticada
Por esse tal menininho
Pois, enquanto aos meus vizinhos
Bonecas ou bolas deixava
A mim sobravam tercinhos
Santinhos, escapulários...
Tomei raiva do menino
Pobrezinho, tão sem culpa...
Arcava com a falta de tato
Das pessoas já adultas
E então quando entendi,
Peguei bronca dos meus pais
Pois mesmo que não tivessem
Brinquedos que eles pudessem
Me presentear então,
Que ao menos não me dessem
Tercinhos, escapulários
Mas no lugar do rosário
Qualquer brinquedo que fosse
Bonequinha feito doce
Ou até de papelão...
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Número 133
O RABINO E O MENDIGO
Estava sentado à mesa
No barzinho onde entrei
Lá no bairro de Pinheiros
Me olhou, me encarou
Sorri pra ele... nem ligou...
Olhou-me novamente... sorri
Quis cumprimentá-lo
Olhei... mas ele fechou-me a cara
Pensei do que foi que não gostou...
Em mim, jeito alegre... amistosa
Sorrindo, como a dizer:
Bom dia, homem tão sério
Seja bem vindo... prazer...
Porque? Eu me pergunto...
Não me sorriu o rabino?
Posso jurar que não sei...
Saindo, olhei, sorri
Ele nada... mas me olhou
E mais fechou sua cara
Segui... nem alegre ou acabrunhada
Mais adiante um pedinte me encarava
Me sorriu, puxou conversa
Sorri... dividi com ele as falas
Domingo de pouca gente
Manhã... cafezinho quente
Um rabino... divagando...
Bebendo café com leite
O que levou esse rabino
A ser duro assim comigo?
Ah... Acho que me julgou
Pela roupa que eu vestia
Calça justa... ou foi a minha postura
Num boteco de segunda
Num Domingo de manhã
Bebendo café num copo
Nem xícara havia lá
Não sei... nunca vou saber
Que impacto causei...
Ou será que o tal rabino
Olhou-me e nem me viu?
É... Até que pode ser...
E o pobre maltrapilho
Que me abriu belo sorriso
Como foi que me enxergou?
Viu melhor a minha alma
Que o rabino que estudou?
Me lembrei de Krishnamurti
Que em seu livro aconselhou:
Observe... Tão somente observe...
Sem julgar, sem questionar
Observe... Veja os fatos
Não queira concluir nada
Do mundo inquestionável
Que o homem carrega em si
Pois  cada mundo é único
Na história que encenou
Cada alma um mundo próprio
Indecifráveis os segredos
Da alma que o gerou...

Beijo você mendigo querido...
Beijo também você ilustre rabino...
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Número 134
OS MEUS NATAIS DE AGORA
Ah... São lindos... Tão festejados...
São meus natais encantados
Coloco luzes, dou ênfase
À fachada em minha casa
Não faltam papais Noéis, anjos, renas...
Falta nada... Tem um presépio no centro
Jesus, Maria e José... É essencial que tenha...
Afinal, é um grande evento
Nascimento de Jesus... grande acontecimento
Tudo pronto... fico olhando
As crianças encantadas
Paradas...observando
Procurando nos detalhes
Encontrar a cada ano
O que tem de diferente
Um papai Noel  a mais
Um alce, uma estrela, enfim
Qualquer novidade serve
E até sei que algumas dizem
Que é nesta casa enfeitada
A tão ilustre morada
Do bom velhinho Noel...
Cheguei a ouvir certa noite
Dois irmãozinhos dizendo:
Vamos espiar lá dentro...
Pode ser que a gente veja
Lá tem algo se mexendo...
Fico bem escondidinha
Me disfarço atrás da árvore
Que armei na minha sala
Tão alegre... iluminada...
Todo ano se repete...
É comum que já em novembro
As crianças me perguntem:
Quando vai por os enfeites?
Isso me dá novo impulso
Cresce em mim cada vez mais
O espírito de Natal, de amor...
De agradar... ser mais generosa
Peço então ao Deus Menino
Que eu viva muitos anos
Pra festejar com o mundo
Com muita criança por perto
E brindar com a família
Amigos, parentes, todos...
Ah... e como é bom ter os netos
Curtindo cada detalhe
Me avisando quando às vezes
Uma luzinha se apaga
Um enfeite se perdeu
Ou uma bengala de isopor
Que de tão leve voou...
Ah... Mas preciso aqui contar
Do coral, que há vários anos
Sem chuva ou chovendo muito
Se apresenta em nossa casa
Comandado pela Renata
Pra cantar os lindos hinos
De Natal, do Deus Menino
E então, nossos amigos
Chegam, se confraternizam
E são tantos... Ah... que lindo...
Faço festa, sirvo a todos
Vinhos, canapés e doces
Tudo o que posso ofereço
Obrigada, meus amigos...
Venham todos... venham sempre
E festejem se puderem
Qualquer evento que seja
Festejem principalmente
Todos os Natais comigo...
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Número 135
O QUE SE LEVA
Viver o hoje sem pressa
O ontem pouco interessa
Fazer da vida uma festa
Festejar cada momento
Ter só bons pensamentos
Esperar sempre o melhor
Ser feliz em qualquer tempo
Ver quão grandes podem ser
As tão pequeninas coisas
Advindas a todo instante
Ter vivo em nossa mente
O hábito de agradecer
Qualquer bem que recebamos
Por menor que possa ser
Dividir com as pessoas
Os momentos de prazer
Abrir todos os caminhos
Deixar livre a quem quiser
Transitar os mesmos rumos
E com todos comungar
Do melhor que a vida traz
Pois é isso que se leva
Desta vida de surpresas
Tão intensa e tão fugaz...
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Número 136
QUERO SER

Quero ser pra todo o mundo
Sejam amigos ou parentes
Irmãos ou descendentes
Quero ser pra quem quiser...
Canal de luz, alegria
Ser enfim o que puder
Levar adiante... Muito além
Agora... A qualquer hora
Tudo aquilo que aprendi
E que me veio de graça
Pra poder distribuir
A esssência do viver...
A beleza do que vi...
Quero levar adiante
A grandeza do humano
Entregar sem parcimônia
Meu amor ao semelhante
Quero ver o mundo alegre
Quero a paz unindo os povos
Vou fazer a minha parte
Sorrir meu sorriso franco
Abraçar o abraço forte
Como o último que fosse...
Olhar nos olhos do outro
Sem nem precisar dizer
Só olhar... e assim sem mais...
Entregar o meu presente
Pra você irmão querido...
E que, na entrega eu sinta
Ao me receber sorrindo
Que você pessoa amada
Me recebeu por amigo...
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Número 137
O FILHO QUE ME DEIXOU

Porque... sempre me pergunto
Você, pequenino ser
Foi embora assim tão cedo
Sem licença me deixou
Escoou, deixou meu ventre   
Porque, filho, quero saber
O que foi que te faltou...
Quão dura a vida te seria
Pra deixá-la tão somente
Tanta vida eu te daria
Porque... conta-me teu segredo...
Filho, naquele momento
Te dar mais não poderia
Fui mesquinha, foi por isso...
Sentiu-se pouco bem vindo
Filho... porque fez isso?
Deixou-me como se fosse
Pra dizer-me com teu ato
Mãe... me vou, aqui não fico...
Não quero tuas migalhas
Do amor que tens consigo
Do amor que tenho direito
Quero-o todo...por inteiro...
Mãe... já vou... preciso ir
Teu ventre não mais me serve
Sabe mãe, te digo mais
Você tentou, você gerou-me
Mas não basta... quero amor
Sentir que você me quer
Tanto quanto quis aos outros
Mãe, não precisa ficar triste
Se não estás preparada
Pra receber-me com palmas...
Mãe... eu vou... não tenho mágoas
Meu espírito te compreende
Vi teus choros, tuas tristezas
Vi tudo mãe, senti na alma
Mãe me sinto indefeso
Vou... até,  mãe...
Quem sabe um dia
Eu possa a ti retornar
Mãe... quero a tua alegria
Não quero a tua tristeza
Quero palmas ao chegar...
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Número 138
MOMENTOS
Bons momentos, maus momentos
Tudo passa, se renova
Vai embora o que não serve
Vêm sempre coisas novas
Viver bem cada momento
Mesmo que às vezes não sejam
Da forma que nós queremos
Aproveitar cada instante
Sabendo que o tempo passa
Muito breve, sem demora
Trazendo momentos bons
E levando os ruins embora
Porque tudo se renova
Pois o tempo não descansa
Nem se cansa ou se arvora
Somos nós quem nos cansamos
Se vivermos em marasmos
Deixando passar a vida
Esquecendo de viver
Cada precioso momento
Que esta vida generosa
Tem sempre a oferecer...
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Número 139
AOS MEUS IRMÃOS!
Queridos... quero falar de vocês
Um poema é muito pouco, eu sei
Nós sabemos... sim, é pouco
Me pergunto...em quantos livros caberiam
Nossas vidas tão repletas... tão vividas
Tanta vida... dez irmãos
Quanta coisa pra dizer... lembrar...
Rir... chorar... refletir
Mas nada pra lamentar
Que bom...tento retroceder
Voltar... busco lá no passado
Faço um balanço e volto
No retrospecto acho fácil
Nem um pouco me embaraço
Pois pensei não ser capaz...
Tanta coisa acontecida
Tanta história pra contar
Quantos anos se passaram...
Mas parece que foi ontem
Vida dura... quanta agrura
Infâncias de parcos sonhos
Juventudes reprimidas... calcadas
Alguns diziam... Nem tanto...
Mas de nada entendiam
Nem poderiam entender
Vivíamos sempre rindo
Rir nos é peculiar...
É assim que sabemos ser
Mesmo na vida restrita
Pautada nas regras duras
Quase nada...Dizer regrada é pouco
Quanta lida, dissabores
Vontades sempre dribladas
Tanto tempo... poucas saudades
Mas enfim, tudo passou
E dessa vida de carências
Só o que é bom  ficou
Foi grande o aprendizado
E nos tombos e tropeços
Aprendemos o real valor
Daquilo que mais importa
Solidariedade, união, amor
Somos dez... estamos bem
Hoje rimos relembrando
Tudo por que passamos
Nossos pais daqui se foram
Batalharam... colhem os louros
Pois sei, onde estiverem
Nos olham, nos protegem
Nos amam, nos abençoam...

Maria Augusta, Maria Helena, Zezinho, Fátima, Lourdes, Donizete, Lourenço, Lauro e Teresa, beijo e agradeço a  vocês, meus eternos irmãos
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Número 140
F  É
Viver com fé é o caminho
Mais seguro que se tem
Pois tudo flui bem mais fácil
Se crermos no Ser maior
Que nos ama e nos protege
E que está dentro de nós
Fortalecendo-nos sempre
Pra seguirmos com firmeza
Indo avante sem temer
Porque somos desbravantes
Dos caminhos que escolhemos
Nas escolhas que fazemos
Todo dia, a cada instante
E se crermos nessa força
Que nos ampara e sustenta
Superamos qualquer coisa
Por mais difícil que seja
Pois somos, bem sabemos
Saídos de um Ser perfeito
Gerados do mesmo amor
Semelhantes a esse Deus
Que nos dá a todo momento
A grande oportunidade
De revelar nossa crença
Muitas vezes vacilante
Porém, seguindo confiantes
Progredimos sempre mais
Alcançando tudo aquilo
Que almejamos alcançar...
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