domingo, 4 de agosto de 2013

TEXTOS DE NÚMERO 61 A 70



Número 61
U N I Ã O
União é força motriz
Que remove facilmente
Os maiores obstáculos
Sejam da origem que for
Quando através da alma
Nos unimos com o outro
Nos princípios grandiosos
De amor, paz, justiça,
Fraternidade e perdão
A união nos faz grandiosos
Livres e destemidos
Prontos para transpor
Qualquer barreira que for
Pois não existe maior força
Que a força do amor
E o amor estando em nós
Move o mundo e o transforma
Transpondo qual pena leve
Os maiores obstáculos
Pois unidos em sintonia
Fazemos brotar profusa
A força que nem sabíamos
Possuí-la todos nós
Força mais forte ainda
Que a bomba de Hiroshima
Então, que estejamos todos
Sempre unidos feito irmãos
Que nos unamos ao outro
Em qualquer ocasião
Em qualquer lugar do mundo
Pois assim conseguiremos
Força suficiente
Pra transpor e superar
Qualquer bomba ou barreira
Que tivermos de enfrentar...
........................................................
Numero 62
QUERIDOS ANIMAIS
Animais...
Dóceis, mansos, mimados
Ferozes, domesticados
Bem ou maltratados
Todos tão necessários
De grande porte, pequenos
Imensos ou delicados
Animais de toda raça
Selvagens, cheios de graça
Animais daqui, dali...
Cãozinho tão saltitante
Farejando nas chegadas
Gatos miando mansos
Pelo eriçado em lança
Hipopótamo tão grande
Inteligente elefante
Cigarrinha cantadeira
Formiguinha na labuta
Boi puxando o arado
Na antiga força bruta
Vaquinha parida, leiteira
Suprindo-nos na abundância
Bezerrinho alimentado
Generosa vaquinha mansa
Bodes, cabras, porcos, touros
Cavalos e tantos outros
Diversidade, grandeza
Da pródiga natureza
Procriando sem pudores
Também têm os seus amores
Fêmeas amamentando
Crias cheias de graça
Macho buscando a fêmea
O mais forte traz a caça
Filhotes de toda raça
Brincando tão sem cuidados
Nos perigos que os encalça
Leões, tigres, panteras
Portentosos, belas feras
Golfinhos, também baleias
Pássaros, plumagens mil
Animais da nossa fauna
Também além do Brasil
Garbosos, silenciosos
Fazedores de algazarra
Chiados, urros, latidos
Grunhidos, silvos, miados
Madrugada canta o galo
Faz festa o sapo no lago
Muge o bezerro acuado
Pula o macaco no galho
Saltita leve o coelho
Canta alegre a passarada
Nos gorjeios afinados
E o lobo que não é mau
Uiva em noites de luar
Na gaiola canta triste
O pássaro preso a toa
Fêmea procura aflita
O filhote morto em vão
A corsa mansa dá cria
Uma gaiola se abre
Voa o pássaro capenga
Não sabe mais viver fora
Boiada no matadouro
Conduzida vai em fila
Matamos pra que nos sirvam
Nos alimentam da carne
É de praxe...é preciso?
Porquinhos, leitões e outros
Cabritos, também carneiros
Vão mansos pro sacrifício
Servem-nos de alimento
Saciam a nossa fome
Nos fartam na gulodice
Sandice... Será preciso?
Pássaros voam raso
No cheiro da carne morta
Alimentar é preciso...
O morto alimenta o vivo
Bois, porquinhos e outros
Também dóceis carneirinhos
Perdoem a todos nós
Humanos tão desumanos
E oxalá, quem sabe um dia
Mudemos o pensamento
E vocês não mais precisem
Nos servir de alimento...
............................................................

Número 62-A
LINDAS MULHERES
Mulheres que nos inspiram
Mulheres nobres, senhoras
Lindas por dentro e por fora
Feitas do mais puro amor
Íntegras, inteligentes
Abrangentes, desbravantes
Pensantes de livre pensar
Generosas em seus atos
Mulheres de sonhos fartos
Mulheres de carne e osso
Mas também de ferro e aço
Mulheres apaixonantes
Apaixonadas no que fazem
Produtivas, sempre prontas
A mitigar qualquer dor
Mulheres que já se foram
Mas continuam tão vivas
Nos exemplos que deixaram
Mulheres que destravaram
Qualquer porta, qualquer tranca
Mulheres desbravadoras
Vencendo quaisquer barreiras
Pioneiras, incansáveis, verdadeiras
Mulheres que nos ensinam
A sermos menos mesquinhos
Lindas todas...Ah, quem dera...
Ter em mim tanta grandeza
Desprendimento e coragem
Mulheres que viverão
Eternas em todos nós
Na saudade, nos seus feitos
Perpetuadas, louvadas
Tão lembradas, necessárias
Zilda Arns, irmã Dulce
Tereza de Calcutá
E tantas outras mais
Fazem aqui tanta falta...
Mas voaram com suas asas
Alçaram voos maiores
Foram morar com Deus
E creio eu, incansáveis
Continuam trabalhando
Prontas a nos ajudar
Aceitem então nobres damas
Nosso amor, nossa saudade
Flores, luzes, orações
Nos altares que erigimos
Sobretudo tenham sempre
Nossa eterna gratidão.
Beijo-as todas...

Número 63
HOMENAGEM A CORA CORALINA
Permita-me, grande amiga
Tratá-la assim tão íntima
Mas foi isso que me ficou
Quando eu a conheci
Na “casa velha da ponte”
E imagino que tantos quantos
A tenham também conhecido
Sentiram no seu abraço
Na acolhida, nos seus gestos
O mesmo querer que senti...
Também me sinto à vontade
Pra dizer-me assim tão próxima
Pois li e reli os seus livros
E lendo-os me dei conta
Do quanto temos em comum
Nas histórias da nossa infância
Na maneira de pensar
No fazer comidas e doces
E em tantas coisas mais...
Saiba então, Cora querida
Que o que sinto por você
É carinho, admiração
É louvor e gratidão
E que você, Coralina
Aninha menina linda
Ana Cora Coralina
É a minha inspiração
Minha grata personagem
Preferida dentre tantos
Ana, Aninha, menina
Criança tão relegada
Inzoneira, curiosa
Pandorga de pernas moles
Aninha... Anjo criança
Cora, coragem, firme, forte
Destemida, determinada, guerreira
Mãe, avó,  mulher tão sábia
Socorrista incansável
Poetisa dos becos de Goiás
Da casa velha da ponte
E tantas histórias mais...
Homenageada sem pretensão
Por Carlos Drummond de Andrade...
Ana dos versos rimados
Das prosas versificadas
Dos poemas da vida simples
Verdadeiras obras primas
Coralina Cora linda
De tantos tabus derrubados
Cora dos encantados, decaídos
Descabidos, mal amados
Dos encantos, desencantos
Doce Aninha encantada
Menina da infância roubada...
Cora de nós mulheres
Das tantas que há em nós
Pudicas, despudoradas
Aviltadas, relegadas
Amadas... Nem tanto assim...
Desejadas, indesejáveis
Inteligentes e sábias
Ou desprovidas de tudo
Cora de um outro mundo...
Nasceu cedo demais
Corinha que nos deixou
Aos noventa e cinco anos
Que pena partiu tão cedo...
Coralina, amiga minha
Também amiga de todos
Cora de portas abertas
A todos que a procurassem
Que entrassem sem bater
Poetisa do “ode às muletas”
Que as usava agradecida
Quando tantos as odeiam
Cora amiga da natureza
Aninha do Rio Vermelho
Do milho, cultivo, enxada
Das boiadas, trens de gado
Da lavadeira, parideira
Também da mulher da vida
Quem seus escritos não leu
Não sabe o que já perdeu
Aninha, anciã menina
Tinha porte de criança
E sabedoria gigante
Publicou seu primeiro livro
Já aos setenta e seis anos
Sempre é tempo,
Ela me disse...
Cora fazedeira de doces
Dos frutos lá de Goiás
Vendidos, oferecidos
Ajudando no sustento
Penso eu que ainda os faz...
Doce Ana, poetisa
Incansável, sonhadora
Tem em si tantos troféus
Criou asas, voa longe...
Faz seus versos lá no céu
Cora inspirada, inspirante
Te louvo por tudo aquilo
Que inspiras, que ensinas
A todos os que , feito eu
Tiveram a grata alegria
De conhece-la um dia
Mestra Cora Coralina
Abraço e beijo você, ANINHA...

Número 64
SEMEAR
Somos todos semeadores
Nos campos que há no mundo
Nas searas infinitas
Pois temos em nós as sementes
E são tantas, tão variadas
Que depois de germinadas
Crescem, florescem, dão frutos
Espalhando sempre mais
Expandindo em abundância
Sem limites e sem trancas
São de todos, quem quiser...
Tudo aquilo que plantamos
Só pensando em ofertar
Sem pensar em receber
Na prodigalidade do ser...
Na fartura da oferta
Doando sem pretensão
Com mentes e mãos abertas
As sementes do amor
Da paz, da generosidade
Da alegria, amizade
Sendo pródigos no ensinar
Também dando bons conselhos
Tendo só bons pensamentos
E ofertar se for preciso
Compreensão no apoio amigo
No ósculo, no sorriso
Num sincero aperto de mão
Aos irmãos, pois somos todos
Transeuntes nos caminhos
Semeando bons exemplos
Ajudando nas colheitas,
Para semearmos sempre
Mesmo que em terras áridas
Ou em terras alagadas
Um dia, qualquer que seja
Germinarão as sementes
Se forem bem semeadas
Sem pressa, com atenção
Sem pensar em recompensa
Semear sem parcimônia
O que está no coração
E assim tanto os nossos filhos
Quanto os demais descendentes
Os bons frutos colherão...
.......................................................

Número 65 deixado intencionalmente em branco
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Número 66
NOSSO OLHAR
Olhares que enxergam
O belo, o feio.
O branco, o vermelho
A cor que quiser...
Olhares que brilham
Opacos ou frios
Olhares aflitos
Contritos, perdidos
Nos olhos que choram
Revelando a dor
Olhares contidos
Serenos, amenos
De olhos pequenos
Redondos, puxados
Olhares cansados
De ver tantas coisas
De olhar sem querer
Não querem mais ver
Olhares intensos
De abranger profundo
Olhar assustado
De quem vem ao mundo
Olhares tristonhos
Pidonhos de fome
Olhar enfadonho
Cansado dos sonhos
Fechado nos sonos
Olhar bem aberto
Olhar indiscreto
Mirando distante
Ou mesmo por perto
Olhar sem fronteira
Desvenda horizontes
Enxerga tão longe
Com olhos de lince
Enxerga a alma
Acalma num lance
Qualquer dor que clama
Olhar tão distante
Parado, nem vê...
Na busca errante
Buscando o que?
Olhar que enxerga
Somente o belo
Em tudo vê flores
Olhar tão singelo
Não vê desamores
Olhar mercenário
De estreito enxergar
Só enxerga cifrão
Perdeu a visão
Olhar de esgar
De puro descaso
Escárnio no olhar
Melhor nem pensar...
Olhares bondosos
Risonhos curiosos
De olhos bem grandes
São tantos os olhos
Que olham por tudo
Que olham por todos
Olhando uns aos outros
Olhares perfeitos
Olhar com defeito
De quem não consegue
Olhar bem nos olhos
Encarar o outro
Olhar complacente
De olhos contentes
Carinho, ternura
Doçura, esperança
Olhar de criança
Que enxerga a alma
No olhar inocente
Tão doce e abrangente
Quem dera eu fosse
Olhado qual fosse
Por quem quer que fosse
O doce mais doce.

Número 67
MINHA ETERNA CRIANÇA
Mora dentro de mim
Uma criança inocente
Carente, amada, sedenta
De amor e complacência
Mora dentro de mim
A criança ainda pequena
Chorona, cheia de graça
Vive em mim a risadeira
Fofoqueira, escrachada
Traquina, comportada
Mal ou muito bem amada
Com seus medos, seus anseios
Menininha de outros tempos
Sem tempo pra ser feliz...
Mora em mim a criança doce
Amargurada, sentida
Mas também feliz da vida
Em mim moram tantas coisas
Mora a paz acolhedora
Na criança que me habita
Corajosa, tão formosa
Feia, frágil, invejosa
Invejada, saliente
Despudorada, inocente
Mentirosa, recatada
Verdadeira, toda prosa...
Mora em mim de olhar brejeiro
A criança curiosa
Buscadeira, tateando
Procurando sempre mais
Mora em mim silenciosa
A criança tão calada
Dos calos, nos nós atados
Menininha terna, eterna
Que se entrega por um doce
Como se ganhar fosse
O presente mais valioso...
Mora em mim qualquer criança
Nas lembranças que me trazem
No sorriso, na esperança
No brincar, amar, crescer
Mora em mim qualquer infância
Que quiser aparecer
Aqui na casa que é nossa
A casa dos meus encantos
Sonhos, amores, lembranças
Frustrações e grandes feitos
Nas heranças que carrega
A menina que cresceu
Mas continua criança
Deus me livre de perder
Em mim, quem eu tanto prezo
E que amo desde longe...
Tão terna, feliz, enfim
Criança eterna de mim...
.................................................
Número 68
A ORAÇÃO DE CADA UM
Orar é falar com Deus
O Deus que temos em nós
Nosso Pai, amigo, irmão
Complacente, compassivo
Companheiro, guardião
Que perdoa nossas faltas
Que nos cumula de graças
E  nos ouve com amor
A oração não tem fórmulas
Cada um reza a seu modo
Conversando, dialogando
Com o Deus da sua crença
Independente de raça
Credo ou religião
Deus é um só, é amor
Pode Ele ter tantos nomes
É o mesmo Deus que nos move
Orar pode ser cantando
Genuflexos, caminhando
Dizendo em versos, em rima
Ou simplesmente pensando
A oração nos aproxima
Orar é espalhar amor
Desejar o bem do outro
Podemos orar nos templos
Nas ruas, em nossos lares
Para conversar com Ele
Não tem hora nem lugar
Podemos orar em silêncio
Meditando, agradecendo
Temos tanto a agradecer
E quaisquer falas benditas
Ditas com gratidão
É uma forma de oração
A criança junta as mãozinhas
Conversa com seu Jesus
Com o seu anjo da guarda
É a mais pura oração
Os adultos clamam, pedem
Agradecem nos altares
Fazem promessas, novenas
Publicam graça alcançada
Para que outros também
Alcancem as suas graças
Na rua o transeunte para
Frente à igreja pede graça
Faz o sinal da cruz
Também é fonte de luz
E assim formamos elos
Lançando o amor entre os povos
Alcançando então a paz
Cada qual rezando a seu modo...
......................................................
Número 69 –
AOS AMIGOS
Meus caros e tão queridos
Amigos meus verdadeiros
Quero muito agradecer-lhes
Pela mais grata amizade
Que vocês a mim dedicam
Amigos de portas abertas
Mostrando sempre um sorriso
Na acolhida sincera
Na alegria das chegadas
É muito bom ter amigos
É muito bom ser aceito
Da maneira como sou
Sem reservas, preconceitos
Sem julgar o certo, errado
Olhando meu melhor lado
Amigo é isso aí...
Pessoas tal qual vocês
Socorristas se preciso
Solidários se houver dor
Amáveis e generosos
Amigos são como a flor
Perfumam e embelezam
Tornando a nossa vida
Mais bela...mais colorida
Ter amigos verdadeiros
É presente inigualável
Não tem preço é inestimável
Amigo tem gosto de vinho
Amigo tem cheiro de festa
Tem sabor de pão quentinho
Encontrar um grande amigo
É raro, não impossível
E é por serem tão raros
Que procuro preservá-los
Espero então que vocês
Amigos tão verdadeiros
Queiram também preservar
Minha sincera amizade
Continuando a me aceitar
Bem do jeito que eu sou
Com meus erros, meus acertos
Minhas virtudes, defeitos
Pra que eu continue a ser
Tão feliz em ter vocês...
Sejam meus amigos sempre benvindos!

Número 70
PARA TER TOLERÂNCIA
Quero aprender, grande Mestre
Com o amor, a tolerância
Ajudai-me eu Vos peço
A ser tolerante com todos...
Julgadores, sabichões
Donos sempre da verdade
Enxergam somente a si próprios
Nunca olham para o outro
Dai-me sentir compaixão
Por seus preconceitos tolos...
Fazei-me também paciencioso
Para ouvir sem me abalar
Despropósitos, despautérios,
E fazer ouvidos moucos,
Quando assim necessitar
E que eu tenha paciência
Com pessoas radicais
Abri ó Deus minha mente
Seja  grande o meu espírito
Fazei-me ser tolerante
Com eventuais inimigos
E que comigo também
Sejam todos compassivos...
Peço a Vós, que eu tolere
Quando invadem meus limites
Com tantas burocracias...
E que eu tenha paciência
Quando aqueles que nos regem
São pegos nos seus desmandos
Faltos de qualquer ética
Mesquinhos e desumanos
Mas que, acima de tudo
Com muito esforço eu consiga
Ser tolerante comigo
Também peço autocontrole
Ao ter que ouvir do outro
Coisas que não me agradam
Notícias más ou fatos xoxos
Que eu aprenda a tolerar
Sempre que for preciso
Em qualquer ocasião
E que eu tenha sobretudo
Amor e compreensão
E assim tolerando o outro
Também me tolerem todos...

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