MARY CITELI ESTÁ PREPARANDO UM LIVRO DE MENSAGENS E ORAÇÕES. ESTÁ ANTECIPANDO NESTE ESPAÇO OS SEUS TEXTOS E SOLICITA AOS EVENTUAIS LEITORES QUE REGISTREM SEUS COMENTÁRIOS.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
SEMANA COMECANDO EM 20.01.2014
OS ANOS QUE ME RESTAM
Já vivi uns tantos anos
O bastante pra aprender
O que devo, posso e quero
Pra mim, nos anos que restam...
Tanto tempo já vivi...
Por isso me cabe aqui
Dizer sem falso pudor
Sem medo de revelar
Que aquilo que aprendi
Me faz pensar no melhor
Pra viver meus outros anos
Ainda qui neste plano...
Dez... vinte, se tanto
Tão pouco, passam depressa
E então a hora é essa
De viver intensamente...
Escolher viver ao lado
De pessoas que me tragam
Alegria, força, luz...
Não me deixar seduzir
Por coisas reles, banais...
Ouvir mais os sons lá fora
Não ter pressa de ir embora
Se o momento for feliz...
Escutar mais as pessoas
Valorizar bem o tempo
E saber que os contratempos
Também passam...vão embora
Chorar mais de alegria
Não curtir as dores frias
Perceber a dor do outro
Ajudar, sofrendo pouco
Cultivar plantinhas bobas
Olhar nos olhos do outro
Abraçar o abraço forte
E não ter a tal vergonha
De demonstrar meu amor...
Fazer mais aquilo que gosto
Tais como ler... escrever...
Passear sempre que posso
Escolher, no prazer da mesa
O que me for mais saudável...
Não viver fazendo dietas
Mas comer com parcimônia
Sem banir do meu cardapio
As coisas que eu mais gosto...
Priorizar a família
Sempre mais... querer ficar
Junto dos meus, dos que amo
Usufruir da alegria
De estar com os meus netos
Enquanto ainda crianças
Porque depois que eles crescem
Alçam voos mais distantes...
Rir mais, se é que é possivel...
Rir de mim... sorrir pra todos
Me entregar de corpo e alma
Revelar meus sentimentos
Sem medo de ser piegas...
E na entrega, permitir
Caminhar a vida, leve...
Sem pressa...
Que a vida é breve....
PAVOR
Passou zunindo por mim
Assobiando, varrendo
Um vento de arrepiar
Parecia o fim dos tempos
Me sentei no chão com medo
Pra não dizer pavor
Chamei Deus Nosso Senhor
Poi só Ele me ouviria
Naquela estrada deserta
Parecendo, ao meio dia
Só eu habitar por lá...
E então desabou a chuva
Muita pedra enchendo o chão
Coração batendo forte
Senti medo da morte
Morrer tão nova, não dá...
Tinha comigo meus livros
E os cadernos de escola
Estavam num embornal,
Foi minha mãe quem fez
Ensopado, até pingava...
Meu lanche de pão com ovo,
Inteirinho se desfez...
Naquele dia de chuvas
Ventos, raios, trovoadas...
Alguém passando me viu
E me levou pra casa
Disseram que desmaiei, não sei...
Não me lembro de mais nada...
MOÇO BONITO
Um carro passou
Cachorro latiu
Menina tão bela
Saiu na janela
Viu moço bonito
Ficou antenada
Olhou pela fresta
Virou a tramela
Penteou os cabelos
Mirou-se no espelho
Gostou do que viu...
Ajeitou suas tranças
Ensaiou uma dança
Bailou feito anjo
Voltou, espiou
O moço não viu...
São cinco da tarde
Chamou de covarde
O moço tão lindo
Podia esperar
Mas ele sumiu...
Dormiu só pensando
Esperando, esperando...
Então noutro dia
As cinco da tarde
Cumpriu ritual
Olhou pela fresta
Os olhos brilhando
Olhar no olhar...
Ah, moço bonito...
Valeu esperar.....
FALANDO COM DEUS
Deus, fale comigo
Preciso ouvi-lo melhor
Vem aqui, meu grande amigo
Meu terno Pai, guardião
Tenho tanto pra contar...
Coisas que até nem sei
Por onde vou começar
Vem aqui... me ouve
Me abraça o abraço forte
Que só Você tem pra dar
Preciso do Seu consolo
Seu apoio, Seu amor
Quero a paz que Você tem
Quero só o que me convém
Pra viver a vida em paz
Vem... me enche de esperança
Traz em mim a luz que emana
Do Seu nobre coração...
Me descansa no Seu colo
Me acolhe, me consola
Fale a mim com o saber
Que só Você sabe ter...
Preenche qualquer vazio
Me faça encontrar a fé
Aquela que faz mover
As montanhas do lugar...
Me ensina a ser filho bom
Complacente, amoroso,
Generoso e tudo o mais...
Tras em mim, ó Pai amado
Seu conforto,,, Sua paz...
Que eu possa aprender
A pensar só o melhor
E que seja meu dizer
A criação de tudo aquilo
Que mais quero, que me apraz...
Seja eu, ó Deus bendito
Emissário do saber
Da grandeza, da beleza
Que em mim Você gerou
Pra espalhar no mundo todo
O que Você gentilmente
Com seu amor me ensinou...
Amém...
PESSOAS EGOCÊNTRICAS
Ah... é chato, muito chato
Quando nos deparamos
Com os tais egocêntricos
Só falam de si, dos seus feitos
Pensam mesmo que são o centro
De tudo...já que o mundo
Gira só em torno deles
Só eles são espertos
Antenados...sabendo coisas
E estão sempre certos
Por isso, nunca se interessam
Pelas coisas do outro
Nem ouvem quando contamos
Nossas alegrias, nossos feitos...
Mas quando perguntamos algo
Até por educação
Não param mais de falar
Fazem a maior explanação...
Contam detalhes
E, se no meio da conversa
Contamos algo sobre nós
Eles não se interessam
Voltam logo ao outro assunto
Aquele...que só interessa a eles...
Seu mundo não é o nosso
E quando saem de perto
É um alívio... ah... é sim...
Não gosto...aliás, ninguém gosta
De ter por perto
Pessoas assim.....
MORRER
Quando eu morrer
Não quero velas
Nem mesmo flores
Meus amores quero lá
Só pra se despedirem
Dos meus despojos
Sem muito choro...
Não precisam perder sono
Que se poupem...
Vão pra casa descansar...
Porque eu vou estar longe
Em busca do meu lugar
E tão leve quanto a pluma
Quero estar voando alto
Só passando vez ou outra
Pra matar minha saudade...
Quando eu me for daqui,
Quero que fiquem bem
As pessoas que me amam...
Sem sofrer... porque eu sei
Vou encontrar meu lugar
Pois se é bom estar aqui
Bem melhor é estar lá
Sem o corpo pra pesar...
É assim que imagino
Quando a hora então chegar...
ELA PASSOU
Ela não passa mais
Todo dia, à mesma hora
Por aqui, pelos lugares
Onde passava outrora...
Ela já nem mora aqui
Saiu cedo, foi embora
Trocou as vestes banais
Por outras mais informais...
Caprichou no visual
Era mulher tão formosa...
Vestiu branco, vestiu luz
Reluz alegre seu manto
Flutua leve... pairando...
Não está mais entre nós...
Brilhou tanto seu sorriso
Hoje faz sorrir os anjos
Baila o seu doce bailado
Qual fossem anjos dourados
Bailando na imensidão...
Viaja pelas estrelas
Faz mais belo o céu azul...
Ás vezes me sopra leve
Uma brisa tão sutil
Pode ser que seja ela
Me alegra imaginar
Que pode mesmo ser ela
Me dizendo que é feliz...
CHORONA
Houve um tempo bem distante
Em que chorar não se podia
Mas eu chorei tudo o que pude
Nunca segurei as dores
Nem as lágrimas abundantes
Que jorravam com frequencia
Não tinha esses pudores
Pra mim o choro foi sempre
Bem chorado, revelado...
Que me vissem como fosse
Chorona, molenga, fraca
Mais ainda eu chorava
Sim... chorei, chorei com gosto
Dos desgostos, das angustias
Das penúrias, desencantos
Chorava bem no meu canto
Me lembro que certa vez
Quando eu tinha uns cinco anos
Chorei...ninguém foi pra ver
Porque o choro era tanto...
Chorei até que o sono
Me fez dormir soluçando
E então, quando acordei
Continuei chorando
Já nem sabia porque
Mas creio que de tristeza
Frustração ... carência
Impotência... sei lá...
Seja o que for,
Deixa pra lá...
MEU VELHO GALO
Tinha em casa um galo branco
Crista enorme, já velhote
Cantava na madrugada
Eu amava aquele galo
Amava também seu cantar...
Me acostumei... me acordava
Cedinho...aquele som...
Meu pai coava o café
No bule todo amassado
Fogão a lenha rachado
Coador velho de pano
Eu ficava só escutando
O cantar forte do galo
Acordando a redondeza
Não precisava relógio...
E o barulho começava
Cacarecos... ecos da cosinha
Das pretas panelas de ferro...
Aos domingos antes da missa,
Matava-se uma galinha
Minha mãe deixava aceso
O fogo baixo, quase só brasas
E a galinha fervendo
Em muita água
Se era velha,
Demorava amolecer...
E íamos todos nós
Pra missa... jejum no duro
Que comungar não podia
Se comesse, ou bebesse alguma coisa
Sacrilégio tomar a hóstia
Não estivesse em jejum...
Ah... e a missa tão comprida...
Santo Deus..não acabava
Aquele sermão durava....
A gente voltava pra casa
Com o estômago doendo
Então, dez horas da manhã
A galinha já cozida
Todo mundo almoçava
Era festa aos domingos
Ter galinha no almoço...
Mas então, aconteceu
Que numa dessas manhãs
Minha mãe pos fim no galo
O meu galo cantador
Meu relógio musical
Meu amigo acordador...
Não comi daquela carne
Olhava todos comendo
Sentia uma raiva danada
Vontade de vomitar
Fiquei mal, agoniada
Demorou me acostumar...
E por muito tempo depois
Bem cedinho, madrugada
Sempre na mesma hora
Ele ainda me acordava.....
CACHORRINHO SEM DONO
Apareceu no quintal
Do sitio onde eu morava
Um cachorrinho bem preto
Olhinhos vivos, brilhantes
Me afeiçoei ao bichinho
Mas mandavam ele embora
Não gostavam de cachorros
Nem sei porque não gostavam
Jä que a explicação que deram
Nunca me convenceu...
Tentei ficar com ele
Não deixaram... tinham medo
Contavam que em tempos idos
Um parente da família
Havia sido mordido
Por um tal cachorro louco
Era assim que eles diziam...
E que não houve meios
A prima acabou morrendo
Eu não entendia aquilo
Queria ele pra mim
Me escondia atras da casa
Com ele sempre no colo
Ah, se meu pai descobrisse...
Arranjava sempre um jeito
De dar-lhe uma comidinha
Mas tudo muito escondido
E quando ia pra escola
Ficava sempre pensando
Será que vou encontrar
Ainda lá meu cachorrinho?
Mas passado poucos dias
Encontei o cão pretinho
No meu caminho de volta
Ferido de morte, agonizando
Nada eu pude fazer
Se vivo ninguém queria
Quase morto, iam querer?
IPÊ FLORIDO
Sob um ipê florido
Crescido em meio a pedras
Me sentei... fiquei ali...
E vendo flores tão belas
De um amarelo dourado
Fiquei tempo meditando
Pensando no meu presente
Recordando meu passado...
Tinha urgência de pensar...
A cada instante, uma flor
Caia perto de mim
Algumas em meu colo
Outras forravam o solo
Deixando o chão colorido
De um amarelo ímpar
E caiam... e caiam...
Sem pressa...bem devagar
Cheguei a me emocionar...
Comparei à minha vida.
Me vi semente, brotando,
Crescendo em meio ás intempéries
Sol, chuva, tempestades
Poucas brisas de passagem
Mas a plantinha, mesmo assim
Crescia em meio ás pedras
Se formando aos empurrões
Porém firme, raízes fortes
Tronco de belo porte...
Folhas verdes deram vida
Aos seus galhos gananciosos
Por viver, se enfeitar...
E assim, sem mais,
Forrou-se de botões
Que ao se abrirem
Nada, nem ninguém
Ousou cercear as flores...
E a árvore foi além
Aos poucos foi dando frutos
Não cansou de florescer...
Fiquei pensando...pensando..
Qual árvore seria eu...
Ipê, acácia, mangueira...
Amoreira, sapoti...
Amo as flores, amo os frutos
Então escolhi ser todas
As árvores que há no mundo...
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