MARY CITELI ESTÁ PREPARANDO UM LIVRO DE MENSAGENS E ORAÇÕES. ESTÁ ANTECIPANDO NESTE ESPAÇO OS SEUS TEXTOS E SOLICITA AOS EVENTUAIS LEITORES QUE REGISTREM SEUS COMENTÁRIOS.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
17 janeiro 2014
MINHA AMIGA PROSTITUTA
Ela era prostituta
Eu posso dizer sem culpa
Que fui das poucas pessoas
Tidas como “gente séria “
Que a ouvia, ia com ela
Quase sempre que sozinha,
Passava em minha casa...
Íamos juntas à missa...
O caminho era longo
E a gente conversava
Na ida e na volta...
Ouvia suas misérias
Revoltas, mazelas...
Alguns viravam-lhe a cara
Beatas se benziam
Quando na igreja ela entrava
Não davam lugar no banco
Não podia comungar
Daquele Deus que era delas...
Absolvição não lhe davam
Quando ia confessar...
Vá em paz, dizia o padre
Mas não peque nunca mais....
E que jeito, não pecar....
Mas as beatas, aquelas
Que atiravam suas pedras
Ah... elas podiam...
Entravam na fila
Feito anjos, recebiam
O Deus que não comungava
Daquela triste conduta
Falsa moral...
Sangravam a prostituta...
Madalena revivida
Sem dó, sem tréguas
Tentando levar a vida
Lembro bem...não me arrependo
Ter sido então sua amiga...
Gostaria de encontra-la
Era tão jovem menina...
Onde andará, querida...
Algum dia nos veremos
Em outros cantos da vida....
MEU RIO
Queria um rio só pra mim
Passando...levando manso
Qualquer tristeza daqui...
Queria um rio cristalino
Descansado... indo...
Com caída feito música
Pra eu ouvir calada
Bem na calada da noite
E dormir no embalo
Do balanço das águas...
Queria um rio passando
Pertinho de onde eu moro
Sem pressa... com tempo
Deixando o tempo passar
Levando de mim
Qualquer mágoa
Que em mim possa restar...
Um rio sem compromisso
Submisso, generoso
Banhando meu corpo nu
Qualquer hora que eu quisesse...
Daria ao rio minhas preces
Comungaria com ele,
Meus segredos inconfessos
E de resto, pediria
Pra ele nunca secar
Continuar comigo...
E quando eu me fosse,
Me levasse leve, manso
Como leve vão os anjos
Sem choro... sem pranto...
VENDER DOCES
Minha mãe fazia doces
Pirulitos, martelinhos
Conhecem? Pirulitos todos sabem
Era só queimar o açúcar
Botar gotas de limão
Depois faziam-se cones
Enchidos com essa calda
Frios, eles endureciam
E a criançada adorava
Martelinho, mais complicado
Não sei agora explicar
Era meio puxa puxa
Sei lá... duro de mastigar
Durava muito na boca
Era um doce econômico
E a criançada era louca
Por aquele doce estranho
Saíamos vender então
Porta da escola, cinema,
Ou batendo nas casas
Doces assim tão baratos
Todo mundo comprava
Alguns as vezes sobravam
E minha mãe reformava
Punha outra vez no fogo
Todo dia a mesma coisa
Vender, vender, vender
Naquele sol inclemente
Pirulitos escorrendo
Lambuzando inteiro a gente
Ah...não sinto saudades
Também não tenho tristeza
Nem tampouco revolta
Mas me alegro quando penso
Que o mundo dá suas voltas...
REBELDIA
Quanto trabalho eu tive
Pra desentortar, remodelar
E salvar como pudesse
Aquilo que já em mim
Se encontrava.... estava lá...
Esperando pra aflorar... florescer
Dar frutos, amadurecer...
Que luta travei bem cedo
Mesmo com tanto medo
Pra desdizer os ditos
Desentortar os mitos
Driblar os ritos
Vencer tabus, preconceitos
Salvar os meus direitos
De apenas ser feliz
Quanta doideira...
Canseira pra remediar
Remendar, cerzir as vestes
Pra quando eles m’as pusessem
Usasse sem questionar...
Rebeldia...era assim
Calcada dentro de mim
Fervendo por não poder
Saciar a fome de ser eu...
Sim, eu queria ser
Aquilo que eu quizesse
E não deixar que fizessem
O que sempre eles diziam
Ser o melhor pra mim...
Não... muitas vezes não era
Mas enfim, naqueles tempos
Eram outros pensamentos
E os meus, como diziam
Destoavam dos argumentos
Que eles pensavam ter...
Ah... quanto trabalho eu tive...
Mas posso dizer que valeu
Nunca ter me acomodado
Sim... fui rebelde no passado...
VIDA NOVA
A vida começa hoje
Agora... todos os dias
Sempre é tempo, sempre é hora
De começar vida nova
Expurgar o que não serve
Levar adiante o que é bom
Abrir mais o coração
Olhar em frente, olhar atrás
Aproveitar o que deu certo
Jogar longe o incorreto
Mirar sempre aquela luz
Bem no finzinho do túnel
Deixar-se levar por ela
Sem medo de chegar lá...
Acreditar que o melhor
Sempre vem... assim será
Assim é a nossa vida
Tão cheia de ensinamentos
Com momentos muito bons
E momentos bem ruins
Sim... a vida é assim
Viver, aprender, ousar
Separar o que faz bem
Se jogar e ir além....
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