Número
186
QUERIDA
MIJONA
Mulher...
não se ria tanto
Pois
acaba se mijando
Rir
é bom, faz leve a alma
Acalma...
mas rir demais...
Sabe
que não aguenta
Não
se sustenta... ai, ai
Toda
vez, você se mija
Forma
poça onde está
Que
coisa é essa, querida...
Não
sabe rir sem mijar?
Eu
também acabo rindo
Rindo
até não poder mais
Mas
comigo é diferente
Não
acontece eu mijar
Já
pensou se todo mundo
Que
risse feito você
Se
mijasse desse jeito
Sem
poder se segurar?
Ah...
que cheiro de urina
Que
o mundo ia ficar...
Se
lembra, de um certo dia
Que
mijou dentro da igreja
Rindo
tanto de uma noiva
Que
entrou feito uma deusa,
Mas
perdeu o belo salto
No
corredor... ah, que chato!
E
você, mulher sem freio...
Sabe
qual é seu defeito
Sabe,
mas não faz nada
Pra
segurar a risada
Você
é tão escrachada...
Velório...
missa cantada
Tudo
enfim vira piada
Vai
por aí gargalhando, se mijando
Moça...
se o seu riso é incerto
Sai
de perto... vá pra longe
Quando
alguém comete gafe
Não
se exponha, sua tonta...
E
nem me convide pra ir
Com
você onde há perigo
De
mijar de tanto rir...
(essa pessoa mijona é muito querida e
muito engraçada)
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NÚMERO 187
DESPERTAR
Despertar da vida o amor
E a ternura em cada ser
Ser desperto, ser liberto
Libertando o próprio ser
Despertar... olhar de perto
Para os frutos que colheu
Plantar as boas sementes
Que geraram esses frutos...
Despertar, olhar em volta
Nas voltas que a vida dá
Procurar seguir em frente
Adiante, avante, sempre...
E assim cuidar, amar
Pra despertar a semente
Dos bons frutos que plantar...
Despertar... olhar o outro
Bem nos olhos pra enxergar
O que todos têm em si
Pois o bem, em todos há...
Despertar... enxergar longe
Os mais belos horizontes
Despontando, despertando
Qualquer seja esse lugar
Longe, perto, ou bem lá atrás
E encontrar desperta a fonte
Que jorra, jorrando a paz...
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Número 188
GOSTO DE ABRAÇAR
Gosto muito de abraçar
Beijar, tocar, sentir
O outro, qualquer que seja
Homem, mulher, velho ou moço
Crianças, então... quem dera
Tê-las sempre ao meu alcance
Pra dar e ganhar delas
Beijos e abraços doces...
Não me importa o que pensem
Sou assim, de gostar fácil
Não consigo só chegar
E não dar o meu abraço...
Olho o outro e nele vejo
O bem que ele pode ter
E ao lhe dar o meu abraço
Dou o meu amor também
Recebendo dele em troca
Seu amor, se lhe convém...
Sou assim... tenho vontade
De abraçar qualquer pessoa...
Seja ela doce, amarga
Desejada, indesejável
Abraço sem distinção
Quem quiser o meu abraço
O terá de coração
Sou de abraçar nas chegadas
Nas saídas, idas, vindas...
Sorrio, enlaço, beijo...
Recebo a todos assim...
Faço com qualquer pessoa
O que gostaria que elas
Fizessem também a mim...
(meu grande
abraço a todos...)
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Número 189
A LISTA
Me peguei... assim... do nada...
Com um lápis e papel
Escrevendo... só pra ver
O que, latente em mim
Precisava por pra fora...
E quando vi, me saiu
Uma lista das memórias
Fui listando... sem pensar
E então, ao me dar conta
Tinha uma lista sem conta
Das coisas que já vivi...
E pude ver nessa lista
Saída sem nem pensar,
Quão rica, quão proveitosa
Tem sido essa minha vida...
Vivência de amor e graça
Também de tantos percalços
Procurando no encalço
À duras penas, achar
Como tantos que ainda buscam
O que me trouxesse paz...
Muita luz, sabedoria
Alegria... amor à vida...
E então, nesse buscar
Tropeçando, equilibrando,
Pude ver quanto valeu
A busca por alcançar
As riquezas que hoje tenho
Família, amigos, saudades
Das andanças por aí
Lugares onde eu vivi
Aprendendo, conhecendo
Outros cantos, outras plagas
Mas ainda bem melhor
Foi conhecer tanta gente
Pessoas... ah, se me lembro
Tantas pessoas eu tenho
Vivendo dentro de mim
Encontrei pessoas boas
Outras nem tanto assim
Mas com todas aprendi
Enriqueci meu saber
E o que pude então trazer
Pra mim, aproveito bem
O que é bom... ainda bem...
Guardo... me fez crescer...
Ser melhor... e assim...
Listando só o que é bom,
Viver... viver... viver...
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Número 190
A FALTA QUE ELA ME FAZ
Foi embora minha amiga
Sem avisar... pois, se nem ela sabia,
Que ao dizer aquele tchau
Aqui não mais me veria...
Mulher simples... mulher forte
Tão boa... tão generosa
Indo, deixou mais pobres
A mim e a tantos outros
Ah... quanta falta ela faz
Corajosa... abnegada
Enfrentava o que viesse
Batalhava sem descanso
Deu exemplos de humildade
Perseverança, vontade
De vencer... de ir em frente
Nunca a vi reclamando
Nem tampouco a vi indisposta
Dava mostras de cansaço
Nos olhos fundos, turvados
Muitas vezes de chorar...
Chorava escondido, eu sei...
Tanta coisa a resolver
Tanto peso em suas costas
Mas fraquejar... jamais
Foi embora a minha amiga
Sem nem mais... sem avisar...
Mas sei que está comigo
Sei que vem me abraçar
Seu espírito está vivo
E a alma não tem tempo
Nem momento pra chegar...
Fique bem, minha querida...
Um dia qualquer nos vemos
Amiga... descanse em paz...
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Número 191
DONA ANA
Tinha dentro de casa
Na parede, alguns escritos
Um quadro velho, apagado
Da Senhora dos Aflitos
Tinha um anjo tão bonito
Enfeitando a mesa tosca
Algumas cadeiras, uma colcha
Bem antiga, já esgarçada
Cobrindo na cama bamba
Um colchãozinho de palha
Na cozinha, fogo à lenha
Em cima, chapa trincada
Tinha uma sopa fervendo
Me ofereceu, aceitei...
Sábia... a conhecia tão bem...
Se não aceitasse, sofria
Dividir era um prazer
Levava comigo um pão
Alguns doces... arroz, feijão...
Ah... meu Deus... quanta alegria
Presenciei naquele dia...
Aprendi tanta lição...
Sabedoria dos anjos
Beleza de coração
Dona Ana, assim chamava
Pequenina... grande dama
Rugas profundas no rosto
Mancava... sentia dores...
Me disse entregar a Deus
Qualquer coisa que aturdia
Vivia bem os seus dias
Sozinha? Não era não...
Conversava com as plantas
Com um gato que a seguia
Recebia suas visitas
Dividia quando tinha...
Saí de lá renovada
Tão feliz e encantada
Mulher... você me fez ver
Com sua sabedoria
Quão doce é minha vida...
(esta nobre
dama, eu conheci em Goiás... saudades...)
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Número 192
MINHA AMIGA ILDA
Querida... você me ensinou...
Tantas lições aprendi...
Pois, sendo tão generosa
Sábia... culta... bondosa
Mostrou-me o bem maior...
Olhar além, ver melhor
Conhecer novos caminhos
Porque, melhor que ninguém
Você, com os seus exemplos
Nos passa sábias lições
Dando amor, compreensão
Usando de poucas falas
Pois no uso da razão
Tem aquilo que precisa...
Por isso não fala em vão...
Ensina com voz tão mansa
Penetra fundo a alma
Traz em si o amor que acalma
Passando pra quem quiser
Lições de serenidade, sabedoria e paz
E assim, você querida
Me ensinou melhor a vida
Hoje sou mais radiante
Amo mais... sou mais brilhante
Reconheço a minha luz
Dantes negligenciada...
Portanto, muito obrigada
A você querida Ilda
Terapeuta e sábia amiga...
(beijo você
com imensa gratidão)
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Número 193
O MEU ABACATEIRO
Fiquei interna uns tempos
Num colégio em Campinas
E eram muitas meninas
Mas ainda me recordo
Do rosto de algumas delas...
Curtíamos nossas saudades
Nossos planos pequeninos...
Falávamos da família
Da saudade, da vontade
De rever os que ficaram
Pois íamos pras nossas casas
Somente uma vez ao ano
Dezembro... ah, maravilha...
Rever as nossas famílias
Mas em julho, todas nós
Pegávamos nossas coisas
E íamos passar as férias
Na chácara do colégio...
Era lindo esse lugar
Tão cuidado... tão limpinho
Pouco me lembro de lá
Mas havia, não me esqueço
Em meio às outras árvores
Um imenso pé de abacates
Fiz dele meu grande amigo
Guardador dos meus segredos
Sentava encostada ao tronco
Chorava minhas saudades
Vontade de ir pra casa
Me soltar... sair correndo
Tão livre qual meu espírito
Rever pais, irmãos, amigos...
Contava minhas mazelas
Saia um choro doído
E ele me escutava...
Dava alento, dava abrigo...
Se tornou meu confessor
Guardador dos meus segredos
Inocentes, tão ingênuos segredinhos...
Mas que pra mim eram eles
Segredos tão importantes...
Ficaram impregnados, contidos
Naquela frondosa árvore
Lindo pé de abacates
Abacateiro...tão querido...
Saudades de você, amigo...
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Número 194
MAZZAROPI
Quem do meu tempo não viu
Assistiu, riu, gargalhou
Com filmes do Mazzaropi
Comediante... grande ator...
Passavam sempre seus filmes
Na cidade pequenina
Urupês, onde eu vivi
Anos da minha vida
Tínhamos nosso cinema
Eu ia quando podia...
Mas os filmes do Mazzaropi
Ah... esses eu não perdia
Mazzaropi... quanto rir
Do seu jeitão escrachado
Seu sotaque tão caipira
Seu andar esculachado
Mazzaropi... pés no chão
Show de sabedoria
Produtor dos próprios filmes
Tinha a voz afinada
Quem é que não se lembra
Da casinha pequenina
Onde o nosso amor nasceu
Tinha um coqueiro do lado
Que coitado... de saudade já morreu...
Canção triste... eu chorava...
Mas logo a tristeza ia embora
Pra dar lugar às risadas
Ah... Mazzaropi, meu lindo...
Quanto você me fez rir
Quanto dar gargalhadas
Do seu humor tão ingênuo
Suas tiradas de gênio
Trejeitos... no seu jeito desgrenhado
Mazzaropi... ainda o vejo
Nas lembranças... que saudade...
Vez em quando o assisto
Tenho filmes seus em casa...
Você hoje, aqui não vive
Mas eu sei... Encena os filmes
E conta suas piadas
Lá na outra dimensão
Pra fazer os
anjos rirem...
Ou chorarem de emoção
Mazzaropi... grande homem
Te abraço...apertado ao coração...
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Número 195
JÓIAS PRECIOSAS
Tantos amigos eu tenho
Fico feliz quando os vejo
Sou muito grata por tê-los
Sinto saudade, abraço, beijo
Gostaria que viessem
Me cercassem todos eles
E me enchessem de afagos...
Amo quando os abraço
Se felizes eles são,
Ou se felizes estão
Quero que deem a mim
Um pouco dessa alegria
Pois a minha eu lhes dou
Passo a eles o que tenho
Amor, paz, minha ternura
Dou-lhes minha energia
Faço as trocas que puder
Recebo com gratidão
Qualquer amor que vier
Pois, vindo do coração
É sempre muito bem vindo
O amor que ele me der
E o amor que eu recebo
Transformo em abraço e beijo
Distribuo e quando vejo
Tudo em mim ficou melhor
Sigo em frente... amo a vida
Meus amigos são meus bens
Que permanecerão comigo
E quando eu daqui partir
Vou levar todos em mim
Pois são jóias preciosas
Que a vida me legou
Sim... vou levá-los em espírito
Porque são parte de mim...
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NÚMERO 196
RIR DE MIM
Vivo rindo... gargalhando
No escracho eu me acalmo
Tenho o sangue do meu pai
Que em qualquer situação
Tinha sempre uma tirada
Fazendo coisas sem graça
Virarem boas piadas
O engraçado me atrai
Se tem graça vou atrás
Rio sempre, rio muito
Sou de natureza alegre
Minhas gafes... tenho muitas
Me fazem rir como nunca
Qualquer coisa me faz rir
Sou mesmo uma boba alegre
E tudo que é engraçado
Sinto que me persegue
Presto atenção e digo
Será que fatos assim
Só acontecem comigo?
Não... acontecem com todos
Mas nem todos se dão conta...
É que eu vivo antenada
Pra ver coisas engraçadas
E então, eu aproveito
Pra dar boas gargalhadas
Gosto de ser assim
Assim, vou continuar
Rindo e fazendo rir
E rindo também de mim...
Número 197
CRIS... CADÊ VOCÊ?
Foi numa noite bem fria
Escura... ficou-me assim
Na pior noite... eu diria
Que momentos de agonia
Eu, mãe, então senti...
Isso já faz tanto tempo...
Cristina filha mais velha
Tinha naquela época
Apenas seus dois aninhos
Loirinha... olhos azuis
Meu Deus... que criança linda!
Fomos ao supermercado
Em São Paulo... Zeca e eu
Dois cuidando da pequena
Mas de repente...Oh Deus
Desaparece a menina
Como que por encanto...
E a gente que cuidou tanto
Não cria... entrou em choque
E olha daqui, dali
Outros nos ajudando...
Mas meu desespero maior
Se deu quando olhei do lado
Já que estávamos nos fundos
Vi um beco muito escuro
Sujo, cheio de entulhos
Que dava pra uma rua
Também essa muito escura
Senti bambear-me as pernas
Ao pensar... foi por aqui...
Levaram minha pequena...
Perdi a fala... desmaiei
Mas pouco tempo depois
Um funcionário a encontrou
Numa banca de brinquedos
Ah... Menina sem sossego...
Devia estar pensando
Logo que lá entrou
Quando se distraírem
Escapo... é lá que eu vou
Disse-me então o moço
Que ao sumirem as crianças
Era lá o primeiro lugar
Que eles procuravam
E era lá, quase sempre
Que elas se encontravam...
Tive sorte... penso, e me arrepia
Ao lembrar daquele beco...
Peço sempre... Santo Deus
Anjos... Virgem Maria
Cuidem... Protejam sempre
Todas as criancinhas...
Será que precisa pedir?
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